Maya Talks #22 – Cultura todos os dias: como liderar 120 corretores | Hamilton
JULIO: Boa tarde a todos, eu sou o Júlio Viana, cofundador e CEO da Plaza, e eu estou aqui em mais um podcast do Maya Talks, o podcast que a gente tem dentro da Plaza, que a gente traz as mentes brilhantes do mercado imobiliário para falar com você, gestor de imobiliária, entender um pouco como a gente pode melhorar o nosso dia a dia. E hoje eu estou aqui com um grande amigo, conheço ele há muitos anos. Quando eu estava entrando dentro do mercado imobiliário, ele me ajudou muito, que é o Hamilton, da Local Imóveis. Então, eu vou deixar o Hamilton se apresentar aqui, mas só queria dizer que eu tô muito, muito feliz de ter o Hamilton aqui hoje. Obrigado, Hamilton, por ter vindo hoje no Maya Talks. É um prazer ter você aqui comigo, cara. E o que eu acabei de falar aqui é verdade, viu? Eu, quando entrei no mercado, eu não sabia o que eu tava fazendo e você me ajudou muito. Então, aproveita aí pra dar uma palhinha, fala um pouco do Hamilton e depois a gente começa aí o nosso bate-papo.
HAMILTON: Legal, obrigado você pelo convite, por estar aqui, ter essa troca com você. É uma grande amizade que a gente construiu, né? São quase 10 anos que a gente tá aí.
JULIO: Exato.
HAMILTON: Tendo essa troca, é uma satisfação enorme estar aqui, para compartilhar um pouco da minha experiência, do que eu vivo aí há 28 anos já no mercado imobiliário. Olha, são 28 anos que eu tô nessa jornada aí, na corretagem, né? Então, vamos aí, vamos bater um papo.
JULIO: 28 anos, cara. Pô, é muito tempo, hein? Não aparenta ter essa idade aí. 28 anos só de mercado, não é mesmo?
HAMILTON: Só de mercado. Comecei em 1998.
JULIO: 98, legal. Começou aonde?
HAMILTON: Comecei na Bamberg Imóveis. Hoje é do grupo Brasil Brokers, exatamente. Mas eu comecei lá com a Rose de Castro, não sei se você conhece. Dá um beijo pra ela, a Rose de Castro.
JULIO: Sim, sim, eu conheci a Rose.
HAMILTON: É uma grande amiga e foi assim, uma entrada de repente. Eu já trabalhava, comecei a trabalhar muito cedo, com 16 anos eu já trabalhava, e aos 18 eu entrei no mercado imobiliário e foi tudo novo pra mim. Eu fui trabalhar com imóveis comerciais, eu era suporte da equipe de vendas da Bamberg na área de imóveis comerciais. Eles tinham um núcleo lá.
JULIO: De imóveis comerciais. O que é suporte?
HAMILTON: Eu atendia os corretores, eu fazia a parte de atendimento, fazia um pouquinho de marketing, é aí que eu comecei a entrar um pouco nessa área de marketing, que veio a ser minha formação. E peguei essa bagagem durante quatro anos atendendo essa equipe. E naquela época, em 98, ainda era offline, né? A internet estava começando no Brasil, tinha acho que três ou quatro anos que tinha pegado mesmo. Então era um trabalho offline, a gente trabalhava muito folheto, as apresentações para os clientes eram muito físicas.
JULIO: Tinha muito trabalho manual ali para preparar os imóveis.
HAMILTON: Catálogos. E nessa época a região da Vila Olímpica, em São Paulo, ela estava num boom de expansão, né? Era a famosa região .com, que a gente falava. Muitas empresas dessa parte da internet estavam se instalando no Brasil. Então essa equipe atendia muito alocação, venda de imóveis, lajes, área pra incorporação. E eu atendi esse time e me ingressei aí no mercado imobiliário. Foram quatro anos na Bamberg que me deram uma bagagem, uma estrutura pra me sustentar nesses 28 anos que eu tô.
JULIO: E você, de onde você é aqui em São Paulo, Hamilton?
HAMILTON: Eu sou da região de Itapecerica da Serra.
JULIO: Região metropolitana, é isso?
HAMILTON: Metropolitana. Dá uns 30 quilômetros aqui do centro.
JULIO: E aí, quando você era mais jovem, criança, adolescente, já tinha gente na tua família
que trabalhava no mercado imobiliário ou a oportunidade veio de uma forma diferente?
HAMILTON: Não, não tive ninguém. Veio através de uma oportunidade que apareceu, de uma indicação, e eu entrei assim no escuro, né? Não tinha nem amigos na época que já atuavam. Mas é o que falam, o mercado imobiliário é apaixonante, tem um bichinho ali que te pica, e isso eu falo para todos os corretores. Quem começa comigo nessa jornada, eu falo: olha, se você entrar, dificilmente você sai, porque realmente é uma rotina diferente todos os dias, é mexer com emoção, é mexer com a moradia. Apesar de que, na época, eu não mexia com moradia, né? Mas a empresa tinha a área residencial muito forte. A minha especialização inicial foi na área corporativa.
JULIO: E aí, daí você foi pra corretagem depois de ajudar ali os corretores? Como é que foi?
HAMILTON: Não, isso é curioso. Eu nunca fui corretor.
JULIO: Você nunca foi corretor?
HAMILTON: Não. E logo depois que eu saí da Bamberg, eu vim pra Local, em 2002. E na Local, na época, eu conheci uma gerente que estava na Bamberg, que era da Local, a Ana Tancredi, mandar um beijo pra ela. E ela voltou pra Local, soube que eu tinha saído da Bamberg, e falou: poxa, vem ajudar a gente aqui no marketing, que você faz um trabalho legal. E eu conheci a Local. Confesso que eu não conhecia assim, eu sabia de nome, mas não tinha história, não conhecia ninguém dentro da Local. E aí comecei, fui aprovado, entrei no marketing da Local e comecei a minha história nesses quase 24, 25 anos de Local.
JULIO: Ah, entendi, então você foi por uma rota acessória ali de back office e não pela corretagem em si. Quando eu conversei com a Rose, eu achei que você tinha sido corretor da Bamberg, porque ela falou "o Hamilton começou aqui comigo". É, mas então foi dando suporte, mas o lado de marketing, né?
HAMILTON: O lado de marketing, exatamente. Mas o marketing tá ligado às vendas. Eu sempre fui um cara que gosto do ombro a ombro. A minha relação com as pessoas, com os corretores, é muito ativa. Então, mesmo na Bamberg, eu saía muito com eles. Eu ia fazer foto de imóvel, eu tinha esse contato com os corretores. A corretagem pra mim, independente de eu ter atuado no front ou não, ela faz parte. Eu sou corretor de imóveis, hoje eu sou, não atuante, mas eu me sinto assim. E a jornada começou na Local, lá em 2002, na área de marketing, e esse offline ainda também muito presente. A gente tinha, naquela época, aquelas máquinas Mavica, uma máquina enorme assim, com disquetes, né, que você armazenava as fotos, e cabiam em torno de 10, 15, 20 fotos.
JULIO: Tinha que imprimir todas essas fotos pra botar no catálogo.
HAMILTON: Pra botar no catálogo. E a gente tava começando o site na época, né, as imobiliárias estavam começando com essa pegada de ter um site. Mas as fotos eram muito pesadas, nesses disquetes tinham 15, 20 fotos de cada imóvel. Então era um trabalho manual, mas era um trabalho que, mesmo há 20 e tantos anos atrás, a gente já tinha esse olhar da apresentação do imóvel, de proporcionar para o consumidor uma experiência interessante.
JULIO: Diferenciada, legal. Muito bom, cara. E assim, muita coisa mudou nos últimos 24 anos, né? A gente provavelmente tem muita coisa para falar sobre o que mudou, mas o que não mudou? Por exemplo, se você pegar um profissional de 30 anos atrás e um profissional agora, o que não mudou?
HAMILTON: O que não mudou, eu acho que foi o cuidado, o olhar com os clientes, a preocupação em atender aquela dor, que no offline ou no online ela continua. A gente acredita muito nisso, que o nosso papel como corretor de imóveis é entender o momento de compra ou aluguel do cliente e trazer a ele aquela solução. Então, independente se o cara usa muito o digital, a tecnologia, a inteligência artificial, quando cai na mão do corretor, ele ter esse olhar, ele ter o cuidado de entender o momento de compra e venda de cada um. Acho que isso nunca vai mudar.
JULIO: É, tem coisas que nunca mudam, né, cara? Tem uma frase famosa do Jeff Bezos lá da Amazon que ele fala o seguinte: a gente aqui na empresa foca no que nunca vai mudar. Os clientes sempre vão querer preços mais baratos, com qualidade maior. Isso nunca vai mudar. E dentro do mercado é a mesma coisa. O corretor que tem o olhar para a qualidade, para a experiência, para o cuidado com o cliente, o cliente nunca vai querer deixar de ser cuidado. Ele sempre vai querer uma experiência cada vez mais diferenciada.
HAMILTON: E nosso mercado principalmente, que é uma aquisição poucas vezes utilizada durante a vida. Então esse momento tem que ser muito cuidadoso. E a gente tem isso como filosofia. A Local é uma empresa cinquentenária. Aliás, a gente completa 53 anos dia 13 de março, semana que vem. E esses 53 anos foram sempre com esse olhar. Os fundadores, o Muratori, que tá com a gente, atuante, hoje responsável pelo nosso departamento financeiro, e o Cury, que faleceu há três anos, infelizmente, mas sempre transmitiu isso pro nosso time. São pessoas que gostam de pessoas.
JULIO: Essa até é uma boa provocação, cara, eu queria entender um pouco mais da história da Local. Como a Local começou com o Cury e o Muratori?
HAMILTON: Começou em 73. A base da Local é a construtora Adolf Lindenberg.
JULIO: A construtora, sim. A Lindenberg é muito tradicional.
HAMILTON: E eles eram executivos de vendas da construtora, antes da Local. Então eles já vêm com esse viés, com essa experiência do alto padrão, principalmente na região dos Jardins. Muitos empreendimentos da Lindenberg nas décadas de 60, 70, 80 foram lançados e têm o dedo do Cury, do Muratori e depois da Local. Eles fundaram a Local em 73, continuaram sendo a house da Lindenberg. E logo depois, na década de 80, final da década de 80, começaram a olhar o mercado de terceiros, o mercado de imóveis prontos, que hoje é o nosso diferencial. Uma virada de chave na década de 90. Mas a essência dela é a área de lançamentos de alto padrão.
JULIO: Ah, entendi. Até porque na região do Jardins e do Itaim, que é a região que vocês atuam, chegou um certo tempo que não tinha mais imóvel novo direito, né? Só virou imóvel usado, porque acabaram os terrenos. Do lado do nosso escritório da Plaza, lá na 9 de Julho, tinha um prédio comercial enorme que uma construtora derrubou para construir um condomínio residencial de alto padrão. Porque não tem terreno na região, né?
HAMILTON: Isso tem acontecido com mais frequência atualmente, por conta de escassez de terrenos em regiões nobres. Jardins é um bairro que tá acontecendo muito isso. Teve recentemente um empreendimento na Rua Pamplona, em frente ao shopping, que compraram um prédio de oito andares, derrubaram, estão fazendo um prédio novo. É uma atualização, patrimônio mais novo, mais moderno, mais atual, que o consumidor busca.
JULIO: Não tem mais terreno, então tem que ter essa mudança aí. Acabei de me mudar pros Jardins, inclusive, viu? O apartamento ficou pronto, tem uma semana a gente se mudou pra lá. Bairro novo, tô super empolgado.
HAMILTON: Ah, que bacana! Vai ser nosso vizinho lá. A gente tá há 25 anos naquele ponto. E a minha história é muito engraçada, né? Porque eu comecei lá na Bamberg, como te falei. E a Bamberg era no ponto onde é a Local, na rua Estados Unidos, 898. E aí, na época, o Michel Bamberg resolveu crescer, ele foi pra uma casa maior na Avenida Brasil, e a Local pegou o ponto da Bamberg. E aí, quatro anos depois, eu voltei para o mesmo lugar onde eu comecei no mercado, e estamos lá, 25 anos. Meio sócio da empresa, e hoje eu tô tocando a operação.
JULIO: Olha só! Não, é genial, cara. E aí, agora falando um pouco mais sobre as coisas que mudaram, né, Hamilton? Esse olhar, o cuidado com o cliente é algo que nunca vai mudar, mas a gente tá passando por um momento de muita mudança tecnológica. Mas esse tipo de mudança tecnológica é nova, mas a mudança por si só não é, né? Você com 30 anos de mercado já deve ter passado umas três ondas ou mais de mudanças tecnológicas significativas. O que você acha que mudou nos profissionais e como eles precisam se adaptar pro que tá acontecendo agora?
HAMILTON: Eu acho que o bacana de tudo isso é que a profissão está sendo cada vez mais levada a sério, a corretagem, os corretores estão se preparando cada vez mais, se educando mais. Isso é uma necessidade. Coisas que há 30, 40 anos as pessoas não levavam muito a sério. E hoje eu vejo isso. A tecnologia, vamos falar especificamente nesse momento de IA, ela vem para ajudar, para agregar, para ser um parceiro do corretor. O corretor está entendendo um pouco mais isso, porque a humanização vai continuar. O consumidor compra um e meio imóvel em média na vida. Então ele precisa ter o olhar profissional. A Local, por ser uma empresa cinquentenária, muito definida no que ela quer, no que ela regionalmente sabe fazer, a gente entende muito bem o bairro, suas peculiaridades, e o corretor acompanha isso. Hoje nós temos 240 corretores. A metade deles estão com a gente há mais de 10 anos. Então eles entendem essa cultura da importância de entender o bairro, de saber o diferencial de cada prédio, de saber detalhes que no final o cliente vai precisar. O nosso corretor agrega esse tipo de conhecimento juntamente com a tecnologia, que trabalha pra ele paralelamente. A gente tem um programa na empresa que se chama Agenda Criativa, você já participou de uma, inclusive, e eu sempre trago algum tema, algum profissional, seja do mercado imobiliário ou fora dele, para trazer esse olhar de tendências pro meu corretor. O que mudou e vai sempre mudar é isso: a gente tem que estar pronto, mas nunca esquecer da nossa essência e do que nós temos de diferencial competitivo, que é o conhecimento regional.
JULIO: Eu acho que você trouxe um ponto muito importante. Muitas vezes, com a digitalização de tudo, o consumidor tem muita informação e chega muito informado. Só que tem coisas que o conhecimento muito profundo e específico de uma coisa traz que não tá em lugar nenhum. Na época que a gente comprava imóvel pelo ZAP, a gente constantemente lidava com apartamentos nos Jardins onde a planta do apartamento era menor do que o valor que estava na matrícula. E as vezes que a gente deixou de perder dinheiro foram quando chegaram corretores e disseram: olha, esse apartamento aqui tá errado, tá dizendo que tem 160, mas na verdade tem 130. Ou então, do condomínio, né? Você não vai parar pra fazer a diligência pra saber o quanto que tem em caixa. Mas um corretor que está ali constantemente dentro daquele condomínio, ele sabe. Essas informações são sensacionais e não estão em lugar nenhum.
HAMILTON: E principalmente estudar a região, né? O consumidor vai comprar um apartamento, na frente tem uma área horizontal, não tem prédios. O meu corretor tem que entender zoneamento pra saber se aquela rua tem um potencial construtivo, que futuramente vai ser incorporado àquele lote e vai perder a vista do cliente. Então, são detalhes que fazem diferença na hora da decisão de compra. E a gente tem isso por quê? Porque os corretores vivem isso. Os meus corretores dominam o bairro, eles estudam isso profundamente, vivenciam no dia a dia. Para justamente, na hora que o consumidor precisar de uma orientação, ele estar muito refinado com detalhes. O que envolve esse produto futuramente, se ele vai ter algum problema, se vai perder alguma privacidade, o corretor está ali para auxiliar nesse sentido.
JULIO: E dentro desse contexto de como fazer o corretor ser tão específico e aprofundado, você tocou num ponto que é da cultura, né? Talvez a base de tudo é você conseguir criar uma cultura que permita esse tipo de comportamento o tempo inteiro. Como que você cria essa cultura? Qual a experiência de vocês na criação dessa cultura? Porque cultura é um negócio que você começa com muita intencionalidade, muito esforço, mas se você não tiver constância durante muito tempo, é muito fácil se perder. Como que você instala essa cultura dentro do time?
HAMILTON: Eu acho que o exemplo arrasta. Tem que vir de cima. A liderança precisa praticar isso todos os dias. Seja na conversa, no café, seja no almoço, seja numa agenda, seja numa reunião. É preciso ter isso muito claro. Eu pego o exemplo da minha loja dos Jardins. Eu, especificamente, estou há dois anos e meio tocando essa loja diretamente como diretor comercial. E a gente tinha uma penetração muito baixa de vendas de imóveis nos Jardins. Eu olhava o cenário: vendia Itaim, vendia Paraíso, vendia Jardins, mas representava 15%. Falei: poxa, eu preciso voltar a ter os Jardins como meu bairro protagonista. E eu coloquei isso como um desafio e eu falava isso todos os dias. Além de falar, todas as minhas ações eram direcionadas para isso. Nas reuniões trimestrais, eu apresentava resultado, e as captações começaram a ser mais direcionadas. Não basta captar imóvel, precisam captar imóvel de 100 a 150 metros na região X dos Jardins, que está tendo mais liquidez. Então os corretores começam a receber essa informação todos os dias, toda semana, e culturalmente vão desenvolvendo. Desenvolver uma cultura é todo dia, não é uma ação isolada, não é uma reunião específica, é no dia a dia. Você precisa viver o negócio. Eu chego cedo, sou barriga no balcão, conheço todo mundo, conheço todos os meus corretores por nome, a história deles. Essa operação eu tenho 120 corretores. Dá trabalho você cuidar de 120 caras. Mas isso, lá na frente, tem resultado. O exemplo vai arrastando.
JULIO: É verdade.
HAMILTON: É preciso ter uma constância também nessa questão pessoal. Se tem um turnover alto o tempo inteiro trocando time de vendas, trocando gerente de vendas, dificilmente vai conseguir implementar uma cultura. A Local, como empresa, está muito posicionada nisso. A gente sabe qual é o nosso ICP. A Local é uma empresa de terceiros, duas unidades, uma na Zona Oeste e uma na Zona Sul, em bairros de médio e alto padrão. O ticket médio a gente sabe. E a pessoa vai absorvendo aquilo, sabendo que ela precisa se encaixar naquele modelo.
JULIO: O que você está dizendo também é que ajuda a implementar uma cultura se você souber o que você está fazendo. Então, saber o perfil de cliente ideal, saber quais são os pontos fortes da companhia, quais são os clientes onde você quer chegar. Isso ajuda a você desenhar culturas e ter constância para fazer essa cultura te ajudar a atingir seus objetivos.
HAMILTON: E é como um time de futebol, né? Você precisa construir e dar tempo pra ele. A gente constrói, monta o time, implanta a filosofia de trabalho e dá tempo pra ser desenvolvido. É assim. Cuidar do corretor faz com que ele olhe pra você como um grande parceiro e ele tenha vida longa com você. Isso a gente tem como filosofia há 52 anos. Eu aprendi muito com o Cury. Ele foi um grande mestre pra mim, tinha essa vivência de salão de venda. E isso é um diferencial da imobiliária hoje. Porque imobiliária tem um monte aqui em São Paulo. Por que o corretor vai me escolher? Por que ele vai querer ficar comigo ali no risco? Então eu tenho que ter pra ele uma estrutura, uma política que ele se sinta bem ali. E isso a gente entrega.
JULIO: Legal, muito bom, cara. E Hamilton, você foi uma das primeiras imobiliárias a adotar a inteligência artificial no Brasil. Acho que dá pra dizer isso categoricamente, porque quando a gente estava começando, a gente conversava sobre isso. Você até adotou uma versão da Maya, cara, que ela já tá obsoleta hoje, ela não existe mais. Mas eu lembro que quando eu cheguei lá pra falar, você falou: vem cá, vamos atrás, vamos fazer, vamos testar. Então, acho que tá dentro do DNA de vocês essa cultura de ser meio pioneiro. De onde que veio isso, cara? É mais uma curiosidade sua?
HAMILTON: Na verdade, é uma visão de negócio que a gente tem. Para você ter uma ideia, nós lá em 2008, 2010, a gente já começou a fazer umas ações no jornal impresso, no Estadão, Folha, colocando QR Code no anúncio. A gente foi uma das primeiras imobiliárias a colocar individualmente em cada anúncio, levando esse cara para o site da imobiliária. Então a gente está sempre buscando estar na frente em relação a isso. E quando você veio com a ideia, eu sempre abraço porque eu penso no meu corretor e no meu consumidor, o quanto isso pode agregar. Eu até te estimulei muito com a questão da Maya, porque você veio com um projeto no comercial, e eu falei: por que você não expande isso para o atendimento como um todo?
JULIO: Exato.
HAMILTON: Então, para mim foi uma satisfação começar com vocês justamente por esse olhar, de conseguir trazer para o corretor uma facilidade, ter ali uma ferramenta trabalhando pra ele, fazendo toda uma gestão inicial, 24 por 7, facilitar a comunicação, entregar pra ele o lead mais pronto, mais quente, e pro consumidor final poder ser atendido qualquer hora do dia ou da noite. Foi aí que eu falei: vamos encarar. Tá sendo uma experiência bem interessante, a gente quer evoluir com isso. A gente tem um desafio principalmente com cliente de mídia exterior, por exemplo, a placa, que é um desafio que a gente precisa chegar a como utilizar a inteligência artificial pra atender esses leads. Eu tenho mais de 3 mil placas instaladas em São Paulo. A gente tá sempre buscando o que a tecnologia pode nos ajudar, tanto para o consumidor ser mais rápido, quanto pro corretor ser mais organizado. A nossa performance melhorou, nossa taxa de conversão em visita melhorou.
JULIO: O atendimento 24 horas potencializa muito, cara.
HAMILTON: Ele potencializa. Tô projetando pra esse ano um crescimento de 25 a 30%. Então, eu preciso também melhorar e potencializar o atendimento pra ver se eu consigo manter esse crescimento que eu tô tendo na empresa.
JULIO: E a gente tem amanhã, inclusive, a gente vai colocar no ar uma nova versão da Maya, que tem várias coisas interessantes lá. É segredo ainda, o pessoal não pode saber. Mas cara, vamos ajudar ainda mais, porque eu acho que tem muito potencial pra ser trabalhado aí. E o que eu puder fazer pra alavancar e te ajudar a atingir esse resultado, a gente vai correr atrás pra fazer isso.
HAMILTON: Eu venho do mercado offline, eu vejo o quanto ainda tem muito a crescer. O mercado imobiliário já deu um salto gigantesco, a gente quebrou vários paradigmas e vem quebrando. Existe uma questão cultural desse mercado comparado a outros, de ser muito ainda conservador, você sabe disso. Mas eu acho que a gente tá abrindo a cabeça pra isso, os empresários estão enxergando o quanto é importante evoluir nesse sentido. Existe muito medo ainda do mercado imobiliário com essa relação: "ah, a tecnologia vai me quebrar, vai me substituir". Não é isso. No fundo, o consumidor quer olhar nos seus olhos e falar: esse negócio é bom pra mim? Isso faz sentido? E o corretor que está pronto, preparado, tem autoridade, consegue sim falar isso com propriedade pro consumidor. A tecnologia está aqui pra te ajudar. Se ela conseguir ser teu parceiro, como você sempre usa esse termo, é sua secretária de bolso, qualificando mais o teu primeiro atendimento, cara, isso é só crescimento.
JULIO: E eu acho que hoje o que eu mais escuto no ambiente de tecnologia inteira é que o profissional que utiliza a inteligência artificial é como se fosse um profissional que tem várias pessoas trabalhando pra ele, como você falou da sua secretária de bolso. Os benefícios de uma pessoa que usa IA, comparado com uma pessoa que não usa, eles são drasticamente maiores. Então, essa visão de que "de alguma forma concorre comigo" é uma visão muito simplista e não corrobora com a realidade.
HAMILTON: Exatamente. Mas vai muito do olhar do empresário, quando é uma imobiliária, de trazer isso pro corretor, de mostrar os benefícios, de valorizar o potencial que ele tem. O corretor do futuro, o corretor que vai se manter no mercado, é o cara que investe no conhecimento dele, na especialização que ele se propôs a fazer. Conhece o prédio pelo nome, pela arquitetura, pela planta, pelo diferencial que o prédio tem. Isso é um ativo que vai fazer a diferença. Eu tenho corretores hoje que, se eu perguntar qual é a planta do prédio da rua XPTO número tal, ele fala: esse prédio é x, foi lançado em tal ano, a construtora foi tal, o arquiteto foi tal. Então isso é um diferencial competitivo. A IA não vai ter a liquidez, como a gente falou. E tudo isso é o dia a dia que traz pra ele, as visitas que ele faz, saber o que tá acontecendo no prédio, qual foi vendido, por quanto foi vendido. O corretor precisa se preparar pra isso. Tendo a tecnologia pra ajudá-lo nos processos burocráticos e manuais, ele tem mais tempo de se especializar e conhecer mais o mercado.
JULIO: Perfeito, show de bola. A gente já tá encaminhando agora pra o final do podcast, Hamilton, e eu queria aproveitar pra fazer uma pergunta que eu costumo fazer pra todo mundo: qual foi a coisa mais gentil que alguém fez por você?
HAMILTON: É difícil essa pergunta. Mas, se tratando de gentileza, eu não posso esquecer minha família, os meus pais, que me deram o maior ativo que eu tenho, que são os meus valores, a gentileza de transmitir isso pra mim, de me educar, de me passar tudo isso. Na área profissional, eu não posso esquecer da gentileza do meu mestre, doutor Cury. Ele teve uma generosidade, uma gentileza de transmitir pra mim todo o conhecimento dele, como pessoa, como profissional, e eu consegui absorver tudo isso e estou colocando em prática. O que ele me ensinou durante esses 22, 23 anos que a gente viveu juntos.
JULIO: Que legal. Um grande mentor, então.
HAMILTON: Um grande mentor.
JULIO: Maravilha, cara. Muito bom. Fiquei muito feliz de entender um pouco mais da história da Local. Não conhecia tanto em detalhe assim, até várias partes aí da sua história também. Muito, muito obrigado, Hamilton, por ter vindo aqui no Maya Talks, compartilhado isso aqui com a gente. Tenho certeza que muita gente que tá escutando vai ficar super feliz de escutar esses detalhes também.
HAMILTON: Obrigado, eu agradeço. Parabéns aí pelo projeto, pela Plaza, pela Maya, todos os projetos que você põe a mão, você é um cara iluminado e eu admiro muito. Compartilhar um pouco da minha história foi um prazer. Sucesso aí pra você.
JULIO: Ótimo, maravilha, muito obrigado. Bem, agora a gente finaliza mais um Maya Talks. Está disponível no YouTube, no Spotify e vários recortes também no Instagram. Então fiquem de olho. Semana que vem a gente posta mais um episódio. Obrigado.
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