Maya Talks #20 – Atendimento, tecnologia e futuro das imobiliárias | Bruno, sócio da Maneco Imóveis
Julio:
Boa tarde a todos, eu sou o Júlio Viana, cofundador e CEO da Plaza. Estou aqui com mais um episódio do Maya Talks, que é a nossa iniciativa da Plaza para trazer as personalidades do mercado imobiliário, quem tem muita experiência, tem muita história para contar, para que todos possam se beneficiar dessas histórias maravilhosas de quem faz o mercado imobiliário de fato. Hoje eu estou aqui com o Bruno Vieira, sócio da Maneco Imóveis e a gente vai bater um papo super legal sobre a história da Maneco, sobre a história do Bruno. Fica ligado aí que vai ter muita coisa interessante. Bruno, muito, muito obrigado por aceitar o convite de vir aqui. no Maya Talks, é um prazer estar conversando aqui com você. A gente estava na conversa aqui antes de começar a gravar e eu já escutei histórias impressionantes, então estou muito empolgado hoje. E cara, queria aproveitar para perguntar para você, se apresenta um pouquinho mais aí, fala quem é o Bruno e a partir disso a gente vai conseguir bater um papo super legal. Aí eu já tenho algumas perguntas super interessantes para te fazer.
Bruno:
Maravilha. Bom, primeiramente é um prazer estar aqui com você, Júlio, grande parceiro aí da Plaza. Meu nome é Bruno, eu sou sócio fundador da Maneco Imóveis, é uma imobiliária desde 1978, lá de Santos. Sou santista, né? Nasci em Santos, torço pro Santos, tô sofrendo bastante ultimamente com a situação do nosso peixe. Tenho 36 anos, um garoto praticamente. Vim aqui acompanhado da minha querida esposa, conhecida como a patroa, né? E sou casado, tenho dois filhos, dois gêmeos, né?
Julio:
São gêmeos.
Bruno:
A Liz e o Kalel, cinco anos.
Julio:
Legal, cinco anos, que maravilha.
Bruno:
Cinco anos, sou cristão. Enfim, um pouco mais, um pouco da minha história. Estamos aí trabalhando bastante para fazer a diferença no mercado.
Julio:
Maravilha! E já estão fazendo, cara, a história que vocês estão postando. Até é importante falar que a Maneco, na minha experiência, que a gente tem trabalhado juntos, vocês têm feito um trabalho espetacular de mindset, de evolução rápida das coisas. Então, a gente vai poder falar muito sobre isso, mas para quem quer conhecer um pouquinho mais da Maneco, a Maneco tem uma mentalidade maravilhosa de crescimento. Você falou para mim, inclusive, que Quando vem uma solução que existe benefício, as pessoas se adaptam para poder usá-las. Então, essa é uma mentalidade muito importante para você conseguir construir o negócio com velocidade.
Bruno:
Então... Com certeza!
Julio:
Legal! Bruno, e me conta, como que você entrou no mercado imobiliário? Você é de Santos, desde criança sempre morou lá.
Bruno:
Sim.
Julio:
É imobiliária da família, você ia para a imobiliária desde criança, já começou a participar do dia-a-dia desde criança. Como é que foi isso?
Bruno:
Olha, agradeço muito ao meu pai, que juntamente com o meu avô fundaram a Maneco. Desde cedo, ele sempre nos incentivou, não só eles, como a minha mãe, a trabalhar desde cedo. Então, com 9 anos, Eu já tava lá entregando o boleto pra lá e pra cá, muito no operacional, fazendo ligações. Na época ainda usávamos fax, né? Então, peguei esses tempos aí que não se tinha celular, né? Era tudo ali no balcão, atendimento mais humanizado, né? Uma época que eu particularmente gostava muito de trabalhar e a gente sempre foi incentivado a... A talina operacional, não é porque nós éramos filhos que a gente tinha algum tipo de privilégio, muito pelo contrário. Recebíamos 50 reais, lembra, até hoje, 50 reais por mês, né? A gente até brinca, praticamente uma exploração, né? Mas assim, muitos aprendizados que eu carrego comigo até hoje. Então, desde pequeno, quando estava todo mundo lá de férias empinando pipa, a gente gostava muito de brincar, empinar pipa na rua, jogar pião, não tinha moleza não. Tinha que trabalhar, não tinha férias e foi muito boa essa experiência. A gente pegou ali desde o início do crescimento da empresa E hoje, graças a Deus, a gente está colhendo os frutos.
Julio:
Legal! Isso é super importante. Sabe, meu pai é empreendedor também. Eu desde que tinha 12, 13 anos, ele costumava me levar para lá, fazia um job rotation, né? Que a gente mandava fazer todas as coisas dentro da empresa para aprender de tudo, né? E com você era só no final de semana ou era depois da escola também, quando era criança?
Bruno:
Depois da escola não tinha moleza não. Meu pai, assim, ele também trabalhou desde muito cedo, então acabou passando isso pra gente, né? Mas assim, não tenho nenhum arrependimento disso, muito pelo contrário, a gente sempre gostou bastante de trabalhar, né?
Julio:
Isso.
Bruno:
Então isso tá... Desde pequeno, enraizado, né? Vem de família.
Julio:
É, e eu não acho que isso é trabalho, porque quando você coloca uma criança pra estar dentro da empresa, que a empresa é dela também, né? Sim, sim. Aquilo ali acaba virando uma coisa da criança, como se ela estivesse em casa, né?
Bruno:
Exato.
Julio:
É, cuidando do próprio patrimônio, vamos dizer assim, né?
Bruno:
Sim, sim.
Julio:
Então, acho que é uma iniciativa maravilhosa. E aí, você começou trabalhando lá, visitando, participando da rotina. Quando que você... Qual foi a parte da imobiliária que mais te interessou à medida que você foi envelhecendo lá dentro? Você eventualmente lidou com aluguel, lidou com venda, lidou com administrativo? O que que te chamava mais atenção e te empolgava quando você ainda era bem jovem e estava começando a andar nos primeiros passos ali?
Bruno:
No começo, eu confesso que apesar de gostar do ambiente, o trabalho não era tão agradável. Eu ficava muito na parte de locação, fazia muitas vistorias nos imóveis e eu era muito detalhista. Ficava às vezes três horas lá praticamente, vistoriando, anotando todos os detalhes do imóvel. E era um imóvel simples, era uma região simples, então não tinha nada de glamour. Acabava ficando horas ali, tinha que intermediar conflito entre locador, locatário. Isso me amadureceu muito, me ensinou muito sobre negociação. Eu acabei me tornando uma pessoa até muito paciente no processo, porque eu lidava com situações de conflito. E muitos sabiam, inclusive, que eu era um dos proprietários e isso me dava uma responsabilidade ainda maior, porque os clientes esperavam muito, tinham muita expectativa de que a gente ia conseguir resolver os problemas. E aí, você lidar com as expectativas de locatário e locador é algo que não é nada fácil. Então, eu fiquei muito tempo nesse trabalho mais operacional. Fazendo a parte de vistoria, preenchimento de cheques, ia na cidade para fazer os depósitos. Na época, a gente depositava cheques.
Julio:
Ia para o banco, no caixa eletrônico, depositar cheques.
Bruno:
Mas assim, eu gostava, a gente se sentia útil, tava sempre aprendendo e como você falou, era algo que era nosso no final das contas, então eu sempre enxerguei dessa forma. Eu confesso que eu acho que eu fiquei até muito tempo nessa área operacional, mas foi bom porque isso trouxe uma base muito forte.
Julio:
Com certeza. Você falou que era detalhista, não era não. Você é detalhista até hoje.
Bruno:
Sou. Sou bastante detalhista.
Julio:
Exatamente. Isso é uma característica muito boa de quem realmente é exigente e vai no mínimo detalhe para fazer o negócio funcionar.
Bruno:
Exato.
Julio:
Isso aí. Perfeito. E isso você já era adolescente nessa época que trabalhava ali como historiador? Ainda convivia com o colégio ou isso já era depois do colégio ali?
Bruno:
Não, eu era adolescente e tudo ali é misturado, né? Colégio, antes de eu entrar na faculdade, né? Fiz faculdade, mas dos 12 anos em diante eu já tava nessa pegada de fazer misturias, tá ali em contato constante com os clientes.
Julio:
E aí depois que você talvez saiu do colégio e foi para a faculdade, foi quando as coisas começaram a mudar sobre o papel que você estava exercendo dentro da imobiliária, talvez as curiosidades ali, o que te deixava mais empolgado.
Bruno:
Então, quando eu completei 19 anos, eu entrei para a faculdade de administração, administração de empresas e foi nessa época que eu me interessei em me tornar corretor. Na verdade, eu já tinha esse interesse, esse era o caminho natural, mas eu acabei me interessando mais. Esse é corretor de vendas, porque eu sempre trabalhei muito na parte de locação. Locação, administração de imóveis. Então, como a gente já estava numa fase ali que meu pai já estava desacelerando e o setor de vendas não estava ali tão... tão bem amparado, ele já não dava conta, porque ele cuidava da parte de locação, cuidava da parte de vendas e como ele não tinha uma equipe de corretores, tudo acabava caindo no colo dele. Então ele já estava numa fase que ele já estava sem muita paciência, mas ao mesmo tempo também não queria desligar o setor. E aí eu vi a necessidade de assumir, era algo que eu já queria fazer, e aí foi quando eu fiz o curso do TTI para me tornar corretor, ao mesmo tempo que eu estava fazendo a faculdade, e aí foi a partir daí que as coisas começaram a caminhar. nessa parte de vendas.
Julio:
Ah, então a venda ela te puxou, ao invés de ser um negócio que você se empolgava naturalmente por aquilo. Tipo, a empresa estava precisando, você disse eu vou assumir isso aqui, você viu a oportunidade e foi atrás, né? Exato. o que você mais, hoje no dia a dia da maneca, é o que você acaba fazendo, tendo mais presença, né?
Bruno:
Sim, sim. É, eu fazia muito a parte de locação e administração junto com o meu irmão, que é o meu sócio.
Julio:
Perfeito.
Bruno:
E aí foi quando, se deparando com essa necessidade em vendas, nós fizemos um acordo. Eu assumiria a parte de vendas e ele ficaria com a parte de locação e administração. porque meu pai já estava saindo, a gente já estava cuidando bem da administração, dos aluguéis, e aí foi quando eu acabei me inserindo nessa parte de vendas. E vendas acabou se tornando uma paixão. Até hoje eu sou fissurado em vendas, embora a minha característica, a minha personalidade seja talvez um pouco mais para o lado do analítico, O que não é, talvez, muito comum você ver um analítico se envolvendo tanto em vendas. Mas, no meu caso, eu gosto. Particularmente, eu gosto bastante da área comercial. Então, foi uma área que, com certeza, me trouxe um prazer muito maior se comparado com as atividades operacionais que eu fazia lá, como vistoria de imóvel e ficar lidando com situações de conflito. Vender é bom demais, né? É, com certeza. Assim, eu gosto de atender clientes. A partir de um determinado tempo, a gente começou a montar equipe, né? A gente pode até se aprofundar um pouco nessa parte, né? Porque inicialmente... Eu acabei até talvez um pouco influenciado pela história do meu pai, pela trajetória dele, eu acabei ficando muito tempo como corretor solo. Então eu me tornei corretor e fiquei praticamente oito anos trabalhando como corretor solo. Eu não tive aquela... iniciativa de montar um time, porque talvez muito influenciado pela história do meu pai, porque ele acabou montando um time, havia se aborrecido, principalmente com parentes, e aí ele acabou seguindo essa carreira solo e construiu um patrimônio muito interessante dessa forma. E aí, eu demorei um pouquinho a despertar para essa questão de vamos montar um time para fazer o setor crescer ainda mais.
Julio:
Legal! E esse é um ponto muito importante, porque a Maneco, o histórico de crescimento foi mais na parte de locação e administração, pelo que você está dizendo. E aí, quando você entrou para fazer vendas, o setor de vendas provavelmente não estava tão desenvolvido assim. Perfeito! Quais foram as... Até antes disso um pouco, qual é... Assim, se você quer montar... Como que essas duas coisas são importantes na estratégia da companhia, né? Uma empresa só de venda, ela provavelmente acaba tendo pontos fracos, que alocação e administração acaba complementando. Como que você vê essa questão de a imobiliária ter duas unidades de negócio e uma complementando a outra?
Bruno:
É assim... Você ter uma operação que não tem alocação... é uma operação, ao meu ver, muito frágil. Porque, embora vendas é uma área dentro da imobiliária que permite alavancar rapidamente os resultados, se bem trabalhado, obviamente, alocação é a base, é o que dá o sustento. Inclusive, é o que gera valor na empresa, que é o equity. Até pensando numa venda, por exemplo, de uma imobiliária, como já até recentemente tivemos casos de imobiliárias que foram vendidas, que não tinham um setor de locação bem estruturado, você não via muito valor na operação. Porque vendas, muitas vezes, você não tem exclusividade da sua carteira, o imóvel está com você e com mais outros 10 players do mercado. Você vende um mês, mas não tem a garantia de que no mês seguinte você vai vender, mesmo que você tenha processos bem estruturados. Então pensando até numa venda, caso esse seja o interesse do empreendedor, você não tem um setor de locação é algo que não confere valor à imobiliária. Então, tem esse aspecto para quem pensa numa venda futura da operação e tem o aspecto de que você ter um setor de locação, além de você ter uma base de clientes muito maior, acaba tendo uma sinergia com o setor de vendas, porque é muito comum pessoas que desocupam imóvel, desocuparem e comprarem um imóvel, ou alguém comprar e querer deixar para alugar. Então, uma operação acaba complementando a outra. Sem contar que a locação te permite ter uma base de clientes com quem você vai ter contatos frequentes, o que te permite, inclusive, até desenvolver novos serviços para estar oferecendo para essa base de clientes. Então, nesse aspecto, com toda certeza, locação é fundamental. E tem muitas empresas que acabam tendo a locação como um patinho feio. ou um pagador de contas. Na verdade, a gente sabe que para quem não sabe trabalhar com locação, de certa forma, acaba sendo mais ou menos isso. Mas lá, por exemplo, hoje a gente tem uma carteira de mais de mil imóveis alugados e lá não é só pagador de contas, lá é uma operação muito lucrativa. Entendeu? Se a gente não tivesse vendas hoje, com certeza a área de locação já daria um lucro muito interessante.
Julio:
Eu percebo esse padrão, viu Bruno? Quando eu vejo muitas imobiliárias que são bem sucedidas, que elas conseguem utilizar a área de locação para alimentar a área de vendas em muitos aspectos. Tem essa primeira parte que... Sim. Sem dúvida nenhuma, a área de vendas é muito mais volátil do que a área de locação, né? Depende muito da macroeconomia. Mas tem também toda uma parte dos proprietários da locação, que eles também podem colocar o imóvel à venda, os inquilinos que podem comprar imóvel, né? Você acaba tendo uma complementaridade muito boa. E nem todo mundo vê desse jeito. Muitas vezes a... a imobiliária acaba levando a estratégia para um lado, porque às vezes a pessoa tem mais interesse, né? O empreendedor ali acaba tendo mais afinidade com o lado e só faz uma coisa direito e não a outra. Mas o que você está trazendo aqui é a importância de profissionalizar essas duas partes do negócio, porque elas se complementam e eu acho que vocês têm feito um bom trabalho nisso. Você na venda e o Filipe na alocação. Legal, ótima história. E aí, depois que você começou a montar o time, quais foram os desafios que começaram a aparecer a partir dali pra você crescer a operação de venda, né maneco?
Bruno:
Olha, boa pergunta. Como eu falei, por um bom tempo eu acabei atuando muito como corretor e isso me deu uma base muito boa, atendi muitos clientes, porque às vezes tem empreendedores que querem empreender nessa área de vendas que a pessoa acaba tendo pouco tempo como corretor e já quer montar um time muito grande, mas também não tem uma base, não atuou muito tempo como corretor. e ter trabalhado por pelo menos oito anos, me deu uma base muito boa. Consegui muito conhecimento, muitas experiências. E aí, quando eu decidi montar um time, era algo que eu não estava preparado. Eu não me considero, vamos dizer assim, um líder por natureza. É algo que eu tive que desenvolver essa parte da liderança dentro de mim. Até hoje estou desenvolvendo isso. E aí eu penei bastante no começo, tive algumas experiências não muito boas com pessoas que a gente tinha muito aquela ideia de trazer pessoas que não eram do mercado. Eu sempre fui muito por esse caminho de trazer pessoas que não tinham vícios, que queriam transformar de vida. Pessoas que tinham muita vontade, que queriam aprender, que não estavam satisfeitas numa outra profissão, e aí eu comecei a trazer essas pessoas pra corretagem. Algumas deram certo, outras acabavam decepcionando de certa forma, não tinham a entrega que nós esperávamos, ou quando... elas se desenvolviam já logo queriam de repente seguir ali uma carreira como autônoma ou eram assediadas por outras imobiliárias, e aí nos primeiros anos eu penei bastante, nos últimos anos a gente tem conseguido estruturar uma equipe muito boa mas pra construir uma cultura foi um desafio muito grande.
Julio:
Leva tempo também, né? Não se cria cultura do dia pra noite, né? E tudo é um aprendizado. E aí, qual foi a mudança principal que você... Depois desses aprendizados iniciais aí, que a estratégia inicial foi contratar corretores que não eram do mercado, Qual foi a mudança aí que aconteceu, que você percebeu e as coisas começaram a funcionar melhor? Talvez contratar pessoas do mercado?
Bruno:
Olha, assim... Ainda continua muito dessa forma. A gente ainda traz muitas pessoas que não são do mercado. Hoje está mais equilibrado. A gente tem 50% de pessoas que vêm do mercado e 50% que são formadas por nós, do zero.
Julio:
Legal!
Bruno:
Acho que a grande mudança foi mais em saber identificar os perfis dos corretores que eram corretores de sucesso. Conforme a gente foi tendo experiências com várias pessoas, umas que davam certo, outras que não davam, eu fui começando a identificar alguns padrões. Então, em um dado momento, eu conseguia já no primeiro mês identificar se a pessoa ia dar certo ou não. No começo eu levava muito tempo, às vezes a gente não tinha aquela firmeza, sabe quando você sabe que a pessoa não vai dar certo, mas você fica ali empurrando com a barriga, esperando ali que a pessoa se desenvolva. E aí eu aprendi, fui amadurecendo com o tempo, e aí comecei a identificar com mais facilidade as pessoas que não tinham o perfil que eu considero o perfil ideal para serem corretoras, independentemente se tem experiência, se não tem. E hoje eu posso dizer que... O que mais eu busco no perfil é garra, é vontade, é ambição. A parte técnica, sem dúvida, é importante quando a pessoa tem experiência no mercado. Ela acaba trazendo uma bagagem que pode, inclusive, até com uma visão diferente, ajudar ali na mudança de algum processo, um aperfeiçoamento interno. É sempre bem-vindo. Mas, acima de tudo, vontade. E assim... Tá cada vez mais difícil hoje achar pessoas assim, viu, Júlio? Tá muito difícil.
Julio:
Gente persistente, né?
Bruno:
Gente persistente, gente com ambição, que sonha grande. É, porque as pessoas falam o que querem. Você vai fazer uma entrevista, a gente faz praticamente uma antivenda. Eu já boto o terror ali, porque a gente tá cansado de ver pessoas que falam o que querem e chega na hora não querem nada. Então, na entrevista eu já... procura ao contrário de muitos que querem vender só o lado bom, eu já falo tudo de ruim que vai acontecer pra ver se a pessoa tá preparada. Porque a gente acabou se decepcionando muito, né? Você acaba botando expectativa em certas pessoas e no final das contas, aqueles que parecem serem os mais talentosos são os que menos performam. E aí, dentro desses padrões que eu falei, eram pessoas que muitas vezes não tinham estudo, nem formação, e simplesmente tinham muita vontade de transformar de vida e essas são as pessoas que mais vendem hoje na operação. Então, eu busco pessoas que tenham um bom motivo para querer mudar de vida. Nas entrevistas, eu procuro identificar quais são os motivos. Às vezes a pessoa chega lá e fala, ah, então, eu tô aposentado, eu só quero... Eu tô cansado de não ter nada pra fazer em casa. Então, ele tá procurando um passatempo praticamente.
Julio:
Sim, aí não vai se funcionar.
Bruno:
Não vai dar certo, entendeu? Então, isso ajudou muito, identificar os perfis. E é claro que às vezes a pessoa acaba se vendendo de uma forma na entrevista e você vai descobrir no dia a dia se a pessoa quer ou não quer. E aí, conforme você vai se desenvolvendo como líder, você tende a agir mais rápido em relação à demissão, ao desligamento daqueles que você vê que realmente não fazem parte da cultura.
Julio:
Certo. Essa é até uma coisa que eu pergunto muito pras pessoas, né? Se você quer ter um time de alta performance, você acha que você precisa encontrar pessoas que são automotivadas ou você precisa ficar motivando elas o tempo inteiro? Pra qual lado você costuma...
Bruno:
Não, com toda certeza automotivada. A gente já estrutura lá a empresa, dá todo o suporte. Acho que o corretor precisa de uma direção. É isso que a imobiliária tem que oferecer para o corretor, uma direção. Porque, às vezes, a pessoa é automotivada, tem ambição, tem garra, só que ela vai para uma empresa que acaba orientando ela por um caminho errado. E ela gasta muito tempo para conseguir ter resultados. E, muitas vezes, a pessoa não tem esse tempo. Até porque, como se sabe, o corretor não tem remuneração fixa. E aí acontece, muitas vezes, a pessoa entrar cheia de vontade, mas ela tem quatro meses para dar certo. Se ela tiver a direção errada, ela vai ter a motivação, porém, a motivação ela vai ser em vão nesse caso, porque a pessoa vai ficar ali se esforçando no caminho errado.
Julio:
Legal! Esse é um bom ponto que você tocou aí, que eu também costumo sempre conversar, que é quanto tempo é o ideal para a pessoa fazer a primeira venda depois que ela entrou na profissão de corretor de imóveis, né? Por exemplo, qual foi a sua experiência quando você começou lá quando tinha 19 anos? Se você fosse pensar como foi a sua experiência e olhar agora uma pessoa jovem que está entrando no mercado e ela precisa ser persistente. Qual a expectativa dela em relação a fechar a primeira venda? Vamos supor, entrou na profissão agora.
Bruno:
É, lá a gente separa locação de venda. Então, se a pessoa quiser ser corretora de locação, ela vai ter um resultado mais rápido. Na prática é o que normalmente acontece, porque tem um giro muito mais rápido.
Julio:
As pessoas entram primeiro na locação?
Bruno:
Não necessariamente, mas a gente sempre procura perguntar para a pessoa se ela tem uma reserva financeira de pelo menos, se for para entrar em vendas, de no mínimo três meses. O ideal seria ter uma reserva para seis meses.
Julio:
Perfeito.
Bruno:
Locação já tem um giro mais rápido, dificilmente a pessoa vai passar um mês inteiro sem fazer uma locação. Então, para locação é um pouco mais tranquilo nesse aspecto. Vendas, no mínimo três meses, porque já cansei de pegar corretor que dizia que tinha reserva, passava um mês sem vender e já queria sair porque não tinha dinheiro nem para se deslocar até o escritório. Simplesmente parava de ir para o escritório e falava, pô, por que você não tá indo mais? Ah, porque não tô, não tô tendo dinheiro, tô economizando para as visitas. Aí não tem como dar certo, porque aí você se limita muito. O corretor acaba escolhendo muitas visitas, porque não quer gastar dinheiro com Uber, ou com deslocamento, enfim. Então, tem tudo para não dar certo. Eu acho que, até nesse aspecto, a gente procura ser muito responsável, porque Às vezes aquela imobiliária, aquele gestor que só quer trazer pessoas para o time, mas não procura ser franco com essa pessoa que está iniciando em dizer quais são a... dizer a realidade que espera a pessoa, que não é fácil, que essa pessoa talvez vai ficar três meses sem receber um tostão, só tendo que investir, estudar, se capacitar, fazer curso, investir em uma boa vestimenta, entre outras coisas. E aí você muitas vezes acaba sacrificando uma carreira que poderia ser um baita sucesso, que a pessoa muitas vezes entra no momento errado. É uma pessoa que tinha tudo pra dar certo, mas aí o gestor naquela ânsia de trazer a pessoa pro time dele, ao invés de dar uma boa orientação, acaba muitas vezes trazendo, sendo egoísta nesse sentido, e a pessoa acaba muitas vezes desistindo da profissão. E não volta mais depois.
Julio:
E agora, conversando um pouco mais sobre a parte de geração de demanda, que é de... Para um corretor ter um bom resultado, quantos leads ele tem que atender, quantas visitas ele tem que fazer, vamos supor, no primeiro mês dele. Vocês costumam olhar para isso no detalhe e você tem talvez um número ideal que você incentiva os corretores a fazerem.
Bruno:
Olha, isso varia de operação para operação, se você trabalha com imóveis mais econômicos, isso na minha visão. Imóveis econômicos, imóveis de tickets mais altos, alto padrão. A gente hoje tem uma operação voltada muito para imóveis econômicos. Minha casa, minha vida. Esse é o nosso nicho. E aí você precisa de um volume bom. Ainda assim, quando eu falo volume bom, eu prezo muito pela qualidade também desse volume. Não é só sair entregando leads sem qualquer qualificação para o corretor, que aí eu já acho que isso tende a prejudicar o resultado. Eu considero hoje que o corretor receber três leads por dia LEADs qualificados é um excelente número. Só que não precisa ser necessariamente todos os dias. A ideia é o quê? É o corretor receber LEADs e ele buscar converter esses LEADs. Primeiramente numa visita, para depois pegar uma proposta e fazer a venda. Então, quando o corretor está ali recebendo uma média de três LEADs por dia, ele consegue gerar ali alguns atendimentos que ele percebe que são pessoas realmente interessadas em comprar, não faz sentido, nesse momento, ele continuar recebendo leads. Então, a gente procura ter essa comunicação com os corretores. Porque, às vezes, a pessoa já tem cinco potenciais clientes que ela já não tá nem conseguindo dar a devida atenção, porque demanda muita atenção, nem sempre você vai converter na primeira visita, normalmente não é o que acontece, então às vezes você vai precisar mostrar três, quatro imóveis para poder pegar uma proposta, e aí você tem cinco pessoas em potencial, e eu vou continuar mandando mais três leads todos os dias, Se eu exigir que essa pessoa tenha um tempo de resposta rápida para esses novos leads, eu vou tirar atenção dela para os outros atendimentos. Então, essa questão do número de leads, eu vejo que três são bons até o momento que esse corretor tiver pessoas qualificadas para ele falar, olha, já tenham clientes em potencial aqui, dá uma segurada a esse alinhamento a gente procura ter com os corretores.
Julio:
Legal! E o que é uma boa conversão de venda assim? Talvez a de visita para negócio fechado, talvez de lead para negócio fechado. Você tem um número mágico assim que você considera que é uma boa conversão?
Bruno:
Então, lá na região que a gente atua, a gente faz um trabalho de marketing muito forte. Eu acredito que a gente consegue ter uma taxa de conversão boa de visitas para propostas. Então, hoje, a média para cada cinco visitas que a gente faz, pessoas diferentes, no caso, a gente tem 20% de conversão. Então, para cada cinco visitas, uma proposta.
Julio:
Legal.
Bruno:
Entendeu? Essa é a média que a gente tem conseguido. Agora, de atendimento para visita, a gente está ali entre 8% e 10%. Então, para cada 10%, a gente consegue levar 1%. Vamos colocar aí que 1% a gente consegue levar para visita. É.
Julio:
Aproveitando, já entrando aí dentro do assunto de visita, né? E você comentou muito sobre qualificação. Vamos conversar um pouquinho sobre inteligência artificial e as ferramentas que você usa de maneira geral para otimizar o seu negócio. Qual foi o papel da IA para você para otimizar tanto a qualificação como essa parte de visita? Essas são coisas que vocês usam bastante na Maneco?
Bruno:
Sim, sim. A gente está super aberto a mudanças. Isso nunca foi um problema para a gente. Eu gosto de testar. Testar é comigo mesmo. A gente mexe, revira toda a operação lá. Os corretores já se acostumaram dentro desse ambiente. Tanto é que a gente não teve nenhum problema quando nós implementamos a IA da Maya. E a gente, inicialmente, começou a usar o chatbot. Então, você tinha lá o robôzinho que apresentava o menu de opções para as pessoas e direcionava o atendimento ali, seja para o pré-atendimento ou diretamente para o próprio corretor.
Julio:
Essa foi a primeira iniciativa de vocês para tentar qualificar o Lídia, ainda na era pré-IA, se quer dizer. E era um chatbotzinho de árvore. Clicava no botão Isso mesmo.
Bruno:
Então assim, foi a nossa primeira iniciativa. Tinha ali seus resultados, mas muitas pessoas não gostavam da experiência, porque era uma coisa muito robotizada. Então, a gente via que muitas pessoas já nem respondiam mais, ou clicava ali no botão e depois já não dava sequência. Então, você tinha que ter alguém ali para ficar acompanhando, porque muitas pessoas ficavam paradas ali no robô, né? Então, foi essa experiência que nós tivemos. Com a chegada da Maya, Aí mudou completamente de figura.
Julio:
A Manu da Maneco, né?
Bruno:
É, a gente agora tem a nossa Manu, né?
Julio:
Exato.
Bruno:
E assim, foi sensacional. Experiência desde o início. As pessoas muitas vezes não conseguem identificar que é uma IA. Elas falam como se fosse uma pessoa. Inclusive, temos clientes que são meio carentes, né?
Julio:
Sim.
Bruno:
Que desabafam, manda áudios de oito minutos. E legal que ela ouve o áudio sem acelerar, né? que nem a gente. A gente acelera duas vezes e ela é bem paciente, né?
Julio:
Sim, sim, sim, sim.
Bruno:
E ela, assim, tem esse papel de humanizar o atendimento, apesar de ser uma inteligência artificial. E aí, isso, pô, tirou muita sobrecarga dos corretores, né? Porque, antigamente, eles recebiam muitos leads e esses leads não eram qualificados. Então, isso acabava gerando Perda de tempo, desgaste do corretor, inúmeras tentativas de contato sem sucesso, além da qualidade no atendimento, pensando pro lado do cliente. Porque muitas vezes o tempo de resposta acabava não sendo muito bom, porque a gente tinha um pré-atendimento com duas pessoas lá na operação, e que, em alguns períodos de pico, simplesmente não conseguiam dar conta. E aí tinha atendimentos que levava 15, 20 minutos pra começar o atendimento. Hoje em dia, 15, 20 minutos é uma eternidade pra gente. E aí, com a Maya, mudou de figura completamente. Inclusive, existem estudos que mostram que atendimentos respondidos em até um minuto, gera 400% praticamente a mais de taxa de conversão em visitas, por exemplo, que é o momento que o cliente tá ali com atenção, pesquisando, e aí a Maya atende até em menos Isso, tempo atendimento instantâneo praticamente.
Julio:
Exato. Tem um negócio interessante que quando vem uma mudança tecnológica, geralmente as pessoas começam a se acostumar com outra coisa, né? Por exemplo, há 20 anos atrás não existia o WhatsApp. Então hoje o atendimento imobiliário no WhatsApp, ele se tornou essencial, né? Então a gente usa o WhatsApp, o WhatsApp ele é unânime no Brasil. E isso está acontecendo com o atendimento instantâneo também. Eu acho que o cliente, o consumidor final, sei lá, 5 anos atrás, ele queria atendimento rápido, mas ele estava acostumado a receber um atendimento mais tardio. Só que agora com a IA o atendimento está tão rápido que eu acho que a expectativa do cliente já é que o atendimento seja instantâneo, né? Então, como é que foi a adaptação para vocês dessa nova tecnologia na hora que você começou a trabalhar com ela? O que você vê que é o principal benefício para o corretor dessa ferramenta?
Bruno:
Bom, teve uns quebra-pau lá, né? Perdemos metade da equipe. Não, eu estou brincando.
Julio:
Sempre tem.
Bruno:
Não, mas foi bem tranquilo assim. Toda mudança que a gente precisa implementar, antes de a gente implementar, a gente precisa deixar muito claro quais são os benefícios para os corretores. O problema de você implementar uma mudança repentina, sem passar os benefícios, é que as pessoas acabam... ter uma resistência grande, porque elas apenas enxergam aquilo como um trabalho a mais. Mais uma coisa que elas vão precisar se interar entre tantas coisas que o corretor já tem para fazer. E desde o início, ficou muito claro para eles quais eram os benefícios, que a inteligência artificial ia ajudá-los, inclusive, a poupar tempo. E tempo é tudo que o corretor precisa, porque são muitas atividades que o corretor tem. Então... Foi muito tranquilo esse processo de adaptação. Eu até achei que pudesse ter ali alguma pequena resistência, mas o pessoal logo já começou a ver os atendimentos, porque a Manu disponibiliza o link da conversa. Então, o corretor tem acesso a essas conversas. Quando eles viam a forma como a Manu atendia, eles simplesmente ficaram encantados, porque era um atendimento assim... Além da rapidez, da cordialidade, da paciência que ela demonstra, o encaminhamento acaba sendo muito rápido também, porque tem a integração com CRM e aí o corretor recebe rápido aquele atendimento. E antes, uma das reclamações dos clientes era a demora no repasso do atendimento para o corretor. Então, nesse caso, a gente tem, por exemplo, atendimento 24 horas. Hoje, o lead chega 10 da noite, 11 da noite, meia-noite. Tem cliente que manda uma hora da manhã e ela tá ali conversando. Tem clientes que até falam, puxa, não precisava responder. Nossa, você ainda tá atendendo, achando que tá falando com um humano. E aí ela direciona um atendimento às 8 da noite, por exemplo, para o CRM. O CRM já manda para o corretor captador e o corretor pode agendar uma visita no mesmo dia, inclusive. Coisa que antes não era possível, porque passava do horário comercial, a gente não tinha um atendimento ali. Então o cliente tinha que esperar até o dia seguinte para ser atendido. E aí, quando a gente entrava em contato no dia seguinte, já foi, né? Você perdeu o timing do negócio.
Julio:
E sabe que muitas imobiliárias falam que... Ah, eu resolvi o tempo do primeiro atendimento, mas eu criei outro problema. Agora, o cliente está reclamando do tempo do segundo atendimento. que é o tempo para o corretor entrar em contato. E a gente fez uma iniciativa junto com você lá na Maneco, para justamente tirar essa fricção do meio do caminho, né? Conta um pouquinho mais aí de como foi essa experiência de a gente permitir que o cliente já entre em contato direto com o corretor em um clique, ao invés de a gente esperar o corretor ter que entrar em contato com o cliente, né?
Bruno:
Perfeito. Não, essa sacada foi genial. A gente sentia um pouco essa necessidade de o cliente poder entrar em contato, porque me colocando no lugar do cliente, se eu estou buscando um imóvel às nove da noite, gostei muito do imóvel, quero agendar uma visita para o dia seguinte, Do jeito que eu sou ansioso, acho que todo mundo é assim, você espera que o corretor te responda às nove da noite. Então, antes, ela falava que ia direcionar para um corretor e, de fato, fazia isso, integrado com CRM, só que o corretor, muitas vezes, não respondia no mesmo dia. e o cliente não tinha como entrar em contato com o corretor. E aí foi quando vocês desenvolveram uma funcionalidade fantástica que, com a integração com o CRM, ela consegue identificar quem que é o corretor captador do imóvel e aí manda uma mensagem para esse corretor captador pelo WhatsApp informando. Então, ele não é só notificado pelo CRM, ele é notificado pelo WhatsApp pela Manu. E manda o contato do corretor que vai atender para o cliente, dando a possibilidade de o cliente mandar uma mensagem, ligar para o corretor... E às vezes o corretor, que tá ali muitas vezes até ocupado, não consegue atender no momento, quando ele vê ali a chamada de um cliente querendo agendar uma visita, ele larga tudo que ele tá fazendo, né? Então, às vezes, aquele corretor que de repente só atenderia no dia seguinte, ele atende ali no horário que o cliente chama. Então, isso foi fantástico. E para melhorar, ela ainda traz um histórico da conversa que ela já teve com o cliente, facilitando o contato inicial por parte do corretor. Então, foi fenomenal. Isso aí vocês ganharam o nosso coração e o coração dos corretores.
Julio:
Fico muito feliz, cara. Eu acho que no final do dia, o trabalho que a gente faz é o trabalho de a imobiliária conseguir prestar o melhor serviço possível para o cliente final e a gente utilizar a tecnologia para permitir que isso seja possível, né? Então, essa nova tecnologia que a gente está usando, a gente está só no começo do que ela... É como se a gente estivesse na internet, sei lá, em 97, 98, sabe? Quase nada do que a gente conhece hoje da internet. Então, eu fico muito feliz de escutar isso e... Eu acho que a gente colaborou com essa funcionalidade, mas foi a abertura de vocês para construir junto, porque a gente só teve esse insight, porque o nosso time tem essa abordagem de quando a imobiliária nos permite o espaço, a gente vai para a imobiliária, instala na hora as coisas, constrói e desenvolve na hora dentro da imobiliária. E vocês abriram esse espaço para a gente fazer, então... É muito mérito de vocês também ter essa mentalidade de crescimento e inovação para conseguir ter essa funcionalidade nova.
Bruno:
Depois você dá uma participação na sociedade e tá tudo certo.
Julio:
Boa! E cara, me conta um pouco agora sobre... Se a gente for olhar a última linha da imobiliária, né? Vamos supor, a lucratividade, o resultado financeiro, O que você acha que a IA te permitiu chegar? Talvez se você tem alguma percepção sobre esse resultado financeiro que você começou a ter pós IA. E até perguntando o que essa nova tecnologia te permite fazer que antes não era possível para que você tenha esse resultado financeiro ou te permitiu.
Bruno:
Aumentou grandemente a taxa de conversão de visitas. porque boa parte dos atendimentos, pelo que eu observo, chega depois das 8 horas. Das 18 em diante já está chegando muitos atendimentos, principalmente depois das 8. E a gente tinha esse gargalo no atendimento. Ficava para o dia seguinte, como eu falei. Então, a gente perdia muito essa taxa de conversão em visitas. Conforme aumentou, triplicou praticamente a taxa de conversão em visitas. E aí, por consequência, mais visitas, mais proposta e mais venda. Então, com certeza, se não fosse pela IA, não faria sentido. A gente chegou até a considerar, na época, em ter uma pessoa ali que ficasse até às 10 horas no escritório. E aí a gente viu que a conta não ia fechar, né? E aí foi quando apareceu essa oportunidade e está nos atendendo muito bem, porque vai além. Não é só a questão do horário, é a questão da quantidade de atendimentos. Porque antes a gente tinha até que segurar um pouco o marketing. Teve um dado momento que a gente fazia muito investimento, ainda fazemos, em meta-ads. Então, tinha muitos leads que chegavam. A gente viu que isso estava sobrecarregando os corretores. Ao invés de ajudar, estava dificultando. E aí, a gente tinha que dar uma segurada no marketing. Com a IA, com a Maya, a gente não tem limites. Se a gente quiser triplicar o número de leads, ela vai qualificar esses leads. Inclusive, ela dá a opção de fazer até agendamento de visita. Então, ela já entrega o lead com o agendamento de visita ali para o corretor só confirmar. Então, hoje a gente não tem esse gargalo. Antes, a gente tinha que ficar dosando ali para não sobrecarregar o pré-atendimento. Ou os corretores. Hoje a gente não tem essa limitação e financeiramente é muito mais viável, né? Porque a gente atender... A gente ter mil atendimentos ou 10 mil atendimentos, não vai mudar muita coisa em relação ao investimento, né? Já se fosse com atendimentos humanos, obviamente, a gente teria que ter uma estrutura muito grande.
Julio:
Você ganhou escalabilidade, né? Conseguiu investir em marketing e sem precisar ter aquele respaldo de ter mais corretor, mais pessoas no pré-atendimento. Esse é um caso muito interessante, porque um dos gargalos que muitas imobiliárias têm para crescer é justamente ter que sair contratando muita gente e tem todos os problemas relacionados a contratar muita gente, que tem que gerenciar, tem a rotatividade... Legal, muito bom! E vamos falar agora sobre o futuro, cara. O que você acha que... O que que você acha que vai acontecer cada vez mais por causa dessa mudança tecnológica no mercado imobiliário? Onde que você vê que, se você for olhar daqui a cinco anos, o que que isso vai permitir a gente fazer?
Bruno:
É assim, primeiramente, ao contrário do que muitas pessoas pensam, corretores ou profissionais que estão no mercado, é que eu não acredito... E eu não estou falando aqui só porque eu estou aqui no podcast contigo. Eu realmente não acredito que a IA vai substituir a figura do corretor. A IA vai potencializar os resultados desse corretor. Eu acredito que, inclusive, isso já... Acredito que vocês estão até desenvolvendo algo nesse sentido, ela vai ser uma assistente do corretor, né? Vai filtrar ali os atendimentos, vai organizar a agenda do corretor, vai... ensinar até esse corretor como atender, como fazer uma melhor abordagem ali dos clientes, vai emitir relatórios de tempo de resposta, o que pode ser melhorado, enfim, entre outras coisas. Então, eu acredito que vai muito por esse caminho, né? Cada vez mais um atendimento humanizado, tem aí IA de voz também, né? Que hoje já consegue falar como se humano fosse, né? Que até liga para o cliente, Então, acho que vai muito nesse caminho, cada vez mais humanizar para que as pessoas não tenham a percepção de que está falando com uma inteligência artificial. Acho que vai se basear muito em dados, cada vez mais com dados ela vai sendo treinada e ela consegue atuar como se fosse uma corretora. como se fosse um especialista mesmo no mercado e pautada nos dados daquela empresa específica. Então, ela entendendo a operação, quais são os clientes que mais convertem, quais são os tipos de imóvel que mais tem demanda, ela, com esses dados, eu acredito que ela vai conseguir fazer um atendimento cada vez mais personalizado para cada operação. Então, eu acredito nesse caminho. Atendimento mais humanizado, pautado cada vez mais em dados e sendo um assistente do corretor.
Julio:
Perfeito!
Bruno:
Falando do mercado imobiliário.
Julio:
Legal! Esse é um insight muito bom, porque, em primeiro lugar, concordo plenamente com você. Já tem estudos que mostram que as pessoas que usam IA no seu trabalho, elas conseguem produzir, assim, num... Não é nem na ordem de grandeza de 1 a 2 vezes mais do que a pessoa que não usa E.A. É na ordem de grandeza de 10, 20, 30 vezes mais, né? Tanto é o fundador da OpenAI, que é o XGPT, ele fala que provavelmente em 2026 vai ter a primeira empresa que vale 1 bilhão de dólares, que só vai ter uma pessoa. Tipo, uma pessoa só, uma empresa gigantesca. Então, isso mostra que essa ferramenta está aqui para potencializar o nosso trabalho. Então, é muito a diferença entre quem usa IA e quem não usa. O corretor que não usa IA, as chances de ele ficar obsoleto, de ele não conseguir produzir, comparado com o corretor que sabe usar muito bem IA, eu acho que é muito alta, sabe?
Bruno:
Com certeza.
Julio:
E tem o outro ponto também que é a IA, cara, ela não é boa em situações de ambiguidade. Então, por exemplo, imagina que a gente está fazendo uma mediação para negociar a compra de um imóvel com o comprador e o vendedor. Você tem que falar com o vendedor, tem que falar com o comprador. E você tem que mediar essa situação, tem muita ambiguidade ali no meio. Então, eu acho muito difícil a IA conseguir exercer um bom papel nessas horas onde a gente precisa atuar sendo psicólogo muito mais do que só respondendo alguma coisa, entendeu?
Bruno:
Concordo.
Julio:
Perfeito.
Bruno:
Esse é o caminho. E é como se diz, não é a IA que vai substituir o corretor. Corretor vai ser substituído por outro corretor que usa melhor a IA, né?
Julio:
Que usa melhor a IA, exatamente.
Bruno:
É um caminho sem volta, se tem alguém aí resistindo, para de ser teimoso e procura o Júlio aí e contrata a Maya.
Julio:
Obrigado, cara.
Bruno:
Porque, cara, assim... Vocês estão fazendo um trabalho fantástico, aproveitando aqui o momento, né? Suporte... fundamental, vocês fazem um suporte maravilhoso, é uma empresa que ouve muito o cliente, vai até a imobiliária como você mesmo foi e procure entender quais são as dores da operação. A gente sabe que no mercado imobiliário não existe uma fórmula única. Cada imobiliária tem o seu método de trabalho, tem muitos aspectos regionais que para algumas regiões funcionam, outras não. Então, você se adaptar a diferentes modelos de negócio é um desafio gigante. E vocês procuram se adaptar a essas diferentes necessidades e por isso que vocês estão arrebentando.
Julio:
Ô cara, obrigado!
Bruno:
Tá muito legal mesmo.
Julio:
A felicidade da gente é quando o cliente está satisfeito e vê que está gerando valor para a operação dele. Mas não é só no produto, é também no atendimento, né? Tanto é que a gente não tem... Apesar de a gente vender I.A., a gente não tem I.A. no nosso atendimento, porque a gente acredita que nessa parte do suporte, quando a imobiliária vem com alguma preocupação, a gente precisa ter um senso de urgência para resolver aquela preocupação dela, e muitas vezes esse senso de urgência a gente não vai conseguir resolver com a IA, a gente precisa de um humano para entender profundamente qual é a sua demanda, a sua preocupação. Então agradeço muito o depoimento, Bruno.
Bruno:
Você é praticamente uma IA, né? Porque você manda mensagem para o Júlio às 11 da noite e ele responde em menos de um minuto. Eu tô achando que você tem uma I.A.
Julio:
lá. Eu queria eu, cara, mas é não, sou eu mesmo.
Bruno:
É, tu mesmo.
Julio:
Muitas vezes é. Agora eu não tô respondendo que a gente tá aqui, né, então algumas mensagens estão um pouco atrasadas, mas eu tenho esse hábito de tá no celular o tempo inteiro. Até prós e contras, né? Minha mulher não gosta, mas...
Bruno:
Imagina, imagina.
Julio:
Mas os clientes gostam. Então, é... Essa é uma maneira que eu gosto de trabalhar. Bem, a gente está entrando para a reta final aqui, Bruno, do nosso podcast. E eu queria aproveitar para te perguntar uma pergunta que eu sempre faço para os nossos convidados, que é... Qual foi a coisa mais gentil que alguém fez para você?
Bruno:
Coisa mais gentil, a responsa tá grande, né? A patroa tá aqui do lado, né? Posso te deixar de fora? Será? Bom, primeiramente ela, a gentileza de me aturar todos os dias. Já há 10 anos de casamento, isso sim é uma gentileza sem tamanho. Mas... Bom, meu pai sempre teve um cuidado nesse aspecto profissional muito grande, sabe? Em ensinar até hoje, ele tá ali sempre presente, aconselhando. É uma pessoa no qual eu realmente me inspiro muito. nesse aspecto profissional, pessoal, obviamente, mas é uma grande referência pra mim, pessoa honesta, uma pessoa leal, que sempre me ajudou muito nessa jornada. Os clientes, de uma forma geral, não aqui especificando alguém, mas generalizando, A gente atua numa área que é uma área carente, é uma área simples, que é a Zona Noroeste de Santos. Atuamos em outras áreas da cidade, mas a gente nasceu na Zona Noroeste de Santos. E as pessoas lá são muito simples, são pessoas carentes. E a gente vê uma receptividade muito grande. A gente foi abraçado pela comunidade. A Maneco hoje é muito conhecida e muito forte em Santos dentro dessa região. E as pessoas estão sempre ali dando seus relatos do quanto a gente conseguiu contribuir com a comunidade nessa questão imobiliária, regularizando muitos imóveis. Tinha clientes ali que já estavam mais de 10 anos tentando regularizar a documentação do seu imóvel e através dos nossos serviços conseguiram. Muitos ali em busca do seu primeiro imóvel. estão ali sempre de forma até muito emocionada, sendo gratos, né, por essa contribuição. Então, eu vejo, assim, muita gentileza da comunidade como um todo, pra não, né, não trazer tudo na figura de uma pessoa, mas a comunidade realmente, assim, nos acolheu de uma forma que eu sou muito grato, sabe? São pessoas que realmente merecem um bom atendimento e a gente se esforça todos os dias para contribuir ao máximo com elas.
Julio:
Legal! Esse é um ponto muito legal de ser compartilhado, que é... O seu cliente tem demandas que vão além dos serviços imobiliários mais tradicionais, de compra e venda, alocação... Regularização fundiária é uma dessas coisas. Então, a imobiliária se disponibilizar e, além disso, resolver outros problemas desses clientes é sensacional, cara. A gente tem um valor, um princípio na Plaza que é transformar cliente em fã. Então, a gente se esforça muito para, muitas vezes, tentar atender uma demanda que não está... relacionada com o que a gente faz. Eu acho que esse é um exemplo que vocês estão fazendo isso na prática também. Eu acho que, cara, daqui a gente vai conversar no futuro e eu tenho certeza que a Moneco vai ser um case que vai ser compartilhado no mercado inteiro ainda, cara. Vocês estão fazendo um trabalho excelente. Tanto você como Felipe estão de parabéns. São pessoas que trabalham duríssimo para crescer a empresa, com uma gestão muito profissional, super atenta aos detalhes. Então, tenho certeza que a gente vai continuar escutando muito ainda da Moneco e a empresa vai crescer muito ainda e vai virar um dos grandes cases aí do mercado imobiliário brasileiro.
Bruno:
Tá gravado, hein? Tá gravado. Deus te ouça, a gente tá trabalhando bastante e com parceiros como vocês, tenho certeza que a gente vai muito longe.
Julio:
Estamos juntos, vamos sempre ajudar. Bem, chegamos aqui a mais um final do Maya Talks com o Bruno Vieira, da Boneco Imóveis. Bruno, muito, muito obrigado pela sua participação. Foi um prazer ter você aqui, adorei a nossa conversa.
Bruno:
Passou até rápido. Estava tão boa a conversa aqui, por mim ficaria horas aqui conversando, mas não faltarão oportunidades para estarmos juntos novamente.
Julio:
É isso aí.
Bruno:
Muito obrigado.
Julio:
Então, se você está assistindo e chegou aqui, lembre-se que a Maya é a nossa inteligência artificial da Plaza, que ajuda imobiliárias a conseguir converter mais leads em vendas. Se você quiser entender um pouco mais da Maya, vá em www.useplaza.com.br. Tenha um ótimo dia para vocês e muito obrigado!
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