Maya Talks #21 – Mais de 35 de anos da Karisma Imóveis: gestão e estratégia | Leandro Esteves
Julio:
Uma boa tarde a todos, eu sou o Julio Viana, cofundador e CEO da Plaza Technologies, e eu tô aqui em mais um episódio do Maya Talks, que é o nosso podcast que traz aí mentes brilhantes que fazem o mercado imobiliário brasileiro. E hoje eu tô aqui com um cara super legal, que é o Leandro da Carisma Imóveis. É um prazer estar com o Leandro aqui. Vocês hoje vão escutar mais sobre a história do mercado imobiliário de São Paulo, de uma imobiliária super tradicional na Zona Norte de São Paulo. E aí, eu não vou falar muito, vou deixar agora para o Leandro contar um pouquinho mais da história dele, contar um pouquinho mais da Carisma. Sejam bem-vindos a mais um episódio. Leandro, muito obrigado por vir aqui no Maya Talks.
Leandro:
Obrigado a você, Julio. Primeiro, agradecer o convite da Plaza. É sempre uma ação muito legal os podcasts, onde a gente pode explicar um pouco mais sobre o mercado imobiliário, falar um pouco mais da nossa história. Então, é bem legal esse projeto que vocês estão fazendo. Eu tenho acompanhado e fico muito lisonjado de ter sido lembrado aqui e trazido para esse programa.
Julio:
Eu que agradeço, cara.
Leandro:
Cara, eu vou conversar a minha história lá atrás, né? O Leandro com 16 anos. Essa história eu costumo contar às vezes na imobiliária pra algumas pessoas novas. Então eu sempre fui de uma família de classe média. né? Meu pai se formou advogado e depois de um tempo viu que a advocacia o levou a administrar imóveis, então ele abriu uma pequena imobiliária e eu tinha uma vida muito tranquila, né? Lá pelos meus 15, 16 anos, só estudava, não trabalhava. Quando um belo ano, Júlio, eu acabei repetindo de ano direto.
Julio:
Não era um bom aluno, então?
Leandro:
Não é, cara. Brinquei demais, né? Acho que estava muito fácil a vida e eu repetia. E aí meu pai falou, não, Leandro, tranquilo, vamos ver o ano que vem como é que você vai. E eu pensando que a coisa tinha meio que passado, né? E aí, dia 2 de janeiro, eu lá com 16 anos, ele me chamou e falou, vamos. Eu, pra onde? Ele falou, você vai começar a trabalhar. Eu falei, sério? Ele falou, sério. você vai começar a dar, repor...
Julio:
Acabou a vida móvel.
Leandro:
Exatamente. Você não repetiu? Agora você vai repor aí a sua repetência, você vai trabalhar comigo. E aí ele me levou pra imobiliária, a imobiliária dele ainda é ativa, ainda tá na ativa, chama Casa 9 Móveis, e eu fui pra lá pra tirar xerox, Júlio. E eu ficava o dia inteiro tirando cópia de livro, cópia de documento, e ali eu aprendi que o sucesso não tem atalho. Que você não consegue ter sucesso só ficando sentado, só olhando, que você tem que colocar a mão na massa. Então ali ele me deu uma baita história de vida, falou, meu, você tinha tudo, não deu muito valor, então agora você precisa correr atrás. Então eu comecei ali na imobiliária tirando o xerox pra aproveitar, eu tirando o xerox de extrato, de documentação imobiliária com 16 anos.
Julio:
Trabalha duro.
Leandro:
Isso. Então tinha muito pouco tecnologia, então tinha que ir pra rua, tinha ainda máquina de datilografia, então muitos contratos ao invés de ser digitados eram datilografados, né, ele tinha bastante ainda processo, né, ele trabalhava ainda com advocacia, então comecei na imobiliária lá em É, por aí, em 91, 92, fazendo esse trabalho com ele e já organizando alguma coisa, depois de um tempo, na própria imobiliária dele.
Julio:
Perfeito. Sabe que eu acho que essas situações, elas acabam formando muito caráter, cara. Eu também passei por uma situação similar, eu reprovei o primeiro ano do ensino médio, E meu pai tinha um lava jato na época, e ele falou, você vai trabalhar no lava jato comigo. Lavando o carro lá, trabalhando duro. Então, eu passei... Era todo dia tarde, no final de semana, eu tinha que ir pro lava jato. Eu acho que, olhando em retrospecto, isso gera tantas coisas positivas pra um adolescente naquela época, do que o contrário, que alguém talvez fica passando mais tempo... Sei lá, tendo atividades mais de lazer, enquanto de uma atividade que vai te mostrando ali o que é importante, vai te trazendo coisas boas pra tua formação.
Leandro:
E o outro lado né, Júlio, que ele poderia dar aquela bronca, colocar de castigo, fazer um monte de ações repreensivas, né? Em vez de fazer essas ações que talvez te deixariam revoltado, você ficaria muito chateado, a gente tinha mais uma oportunidade de falar, olha, é assim que se faz a coisa, Foi como eu comecei, né? O trabalho vai te dignificar e aí você consegue, com certeza, ter sucesso. Então eu acho muito importante essa lição que nos foi dada, então, né?
Julio:
Ah, com certeza, com certeza. E aí você ficou trabalhando até se formar. Como foi a transição pra faculdade?
Leandro:
Foi tão importante essa ação que o meu pai teve, que dali pra diante eu passei de ano, todos os anos direto, com ótimas notas. entrei na faculdade direto, faculdade de direito, e entrei no AB direto também, né? Só que no meio da faculdade, então eu entrei na, trabalhava com ele, entrei na faculdade, fazia a faculdade à noite e trabalhava durante o dia na imobiliária dele. No segundo ano de faculdade, ele já me deixava fazer os processos, então eu já atuava como estagiário lá na Casa Nova Imóveis. é, fazia processo, acompanhava ele em algumas audiências, tratava muito problema de proprietário, né, e de inquilino, principalmente de atraso, né, quando tinha atraso, precisava entrar com alguma ação judicial e etc. Ele já me colocou numa salinha, ali do lado, né, dele, e eu já tava bem estabilizado na casa nova. E aí quando adentrou o terceiro ano de faculdade, eu devia ter meus 20 e pouquinhos anos, apareceu uma carteira imobiliária pra ser adquirida. Então, ele um belo dia me chamou e falou, Leandro, vamos ali olhar uma imobiliária? E aí, ele me levou numa portinha pequena, ali na Avenida Júlio Bono, onde já era a sede da Carisma Imóveis.
Julio:
Ah, entendi. Então, vocês compraram a carteira da Carisma?
Leandro:
Exatamente.
Julio:
Isso há quanto tempo?
Leandro:
Foi em 1998, tem 27 anos. Então, há 27 anos atrás, ele me levou para ver uma carteira de uma imobiliária que já tinha 10 anos. né? Cujo proprietário não tinha sucessor. Então, o proprietário não tinha sucessor e ele optou, era uma uma opressão pequena, porém saudável, e ele optou por vender. Ele falou, puxa Leandro, não tenho sucessor e tal. E meu pai me levou lá e falou, Leandro, o que você acha? E eu olhei, era uma imobiliária bem menor que a nossa na época, com bem menos clientes, mas eu vi ali que era um, podia ser um negócio muito legal. E aí a gente estruturou a compra dessa carteira, negociamos aí uns 60 dias, né, e eu tenho um irmão mais novo, né, tenho dois irmãos mais novos, e aí eu tava crente que um dos meus irmãos ia assumir aquela carteira e eu ia continuar no posto de... Vice-diretor, vice-presidente, sei lá, da Casa Nova onde eu tava. E aí numa segunda-feira, meu pai, porra, junta suas coisas aí, pega as coisinhas da sua sala, que você vai assumir lá carisma. Eu falei, meu Deus.
Julio:
Nem tava esperando.
Leandro:
Exatamente. Falei, meu, tô tranquilo aqui, já tenho uma sala, já tenho um cargo bacana e lá pra... prece imobiliária e a gente foi pra lá em agosto de 98, assumi, né? Um jovenzinho indo pra uma imobiliária bem raiz, né? Ela tava pouco informatizada, ela tinha já um gerente de vendas, uma equipe de vendas legal, mas era bem arcaico ainda, né? E fomos pra lá em 98 tocar a operação imobiliária num prédio locado, era um prédio que era alugado, pequenininho, sem estacionamento, sem nada. E aí um case, um caso, um caso muito interessante que aconteceu logo nos primeiros dois meses. Então a gente ficou lá dois meses apurando o que dava, quitamos a carteira, finalizamos a compra da carteira. E aí a gente foi falar com os colaboradores que lá estavam que a gente ia alterar o nome pra Casa Nova Imóveis. Ia ser uma filial da Casa Nova. E aí a gente encontrou uma resistência gigantesca do pessoal que estava lá.
Julio:
Dos clientes ou mais da equipe?
Leandro:
Dos colaborado:res, mais da equipe. De falar, Leandro, você pode alterar o que você quiser, mas não mexe nesse nome.
Julio:
Da onde que vem o nome Carisma?
Leandro:
O antigo proprietário disse que ele tentou registrar algumas marcas e um dia a pessoa falou, nossa, mas você é tão carismático, mas as marcas que você trouxe não é com a teu. E ele falou, pô, então coloca Carisma com K. E aí ele conseguiu registrar marcas e patentes.
Julio:
Legal.
Leandro:
E aí quando eu cheguei lá, o gerente de locação, o gerente de vendas me falou, Leandro, faz o que você quiser, mas mantenha o nome. Né? Um tempo depois, depois de alguns anos, eu vim saber que eles falaram, se o Leandro trocar o nome, a gente vai sair e vai usar esse nome.
Julio:
Olha só.
Leandro:
E de 98 pra cá, a gente... Lógico, né? Eu tinha o respaldo do meu pai na Casa Nova Imóveis e a gente... Muitas coisas a gente compartilhou e cresceu juntos, né? Mas de 98 pra cá, a gente conseguiu, em 2, 3 anos, comprar um terreno, fazer uma sede própria, né? Sair do aluguel e... mais tarde, em 2014, fazer uma sede própria com mais de 1.200m². Hoje a gente tem mais de 70 colaboradores, né? Duas unidades, a unidade de Navelão Gustavo e a unidade de Santana. E sempre gerando... trabalhando muito em duas... Há vertentes, né? Há vertentes pessoas, que eu acho que é fundamental, principalmente no ramo imobiliário, onde os profissionais corretores são autônomos e eles não têm ajuda de custo, salário, etc. Vivem de comissão, né, Julio? Então, realmente a gente tem que tratar essa ponta pessoas muito bem tratada. E aponta processo, né? Ter processo claro, né? A gente chegou lá na Carisma em 98, não tinha muito processo, eles meio que faziam as coisas. Ah, mas por que você não fazia? Ah, eu tô fazendo. Então, sabe quando a coisa, você vai apagando incêndio e vai fazendo?
Julio:
Nem devia ser digitalizado. Nada, nada.
Leandro:
Ah, vou fazendo, vou fazendo. Calma, então calma. Como é que você aprova uma ficha? Tem um início, meio e fim. Início, vamos criar aí um formulário pro cara preencher? Vamos criar os documentos mínimos?
Julio:
Sim.
Leandro:
E aí dali a gente começou processos, processos, processos, pessoas, cuidando de pessoas, cuidando de processos, né? E sabendo que uma empresa tem que gerar resultado, né? Falando pra todo mundo, desde o office boy até o diretor, né? Saber que a empresa trabalha por fechamentos. por vendas, por locações, por administrações feitas. E aí esse tripé, vendas, pessoas, processos, vendas, vendados. Certo lá na Carisma.
Julio:
Legal. E essa sede da Carisma que era na Vila Gustavo?
Leandro:
É, ainda fica na Vila Gustavo. Ela nasceu lá na Júlio Bono.
Julio:
Ah, entendi.
Leandro:
E aí, depois de algum tempo, a gente comprou um terreno, alguns quarteirões pra frente, num imóvel menor, e depois a gente comprou um terreno maior e fez a sede matriz, hoje, da Casa Esmalada Júlio Bono, que tem mais de 1.200m².
Julio:
Perfeito, perfeito.
Leandro:
Lindo o prédio. E tem lá um auditório de treinamento e isso. A gente conseguiu estruturar o prédio de uma forma que fosse bem acolhedor para as pessoas e para os clientes.
Julio:
E a Casa Nova, onde era?
Leandro:
A Casa Nova ainda continua no mesmo local onde eu trabalhei. Fica na Vila Sabrina. Por incrível que pareça, a gente está a menos de três quilômetros de distância. Mas sempre com muita ética, muito respeito. Ela cresceu junto com a Carisma, então hoje está num prédio próprio também lá. É muito grande, com 30, 40 colaboradores lá também. E por incrível que pareça, as nossas operações não cruzam muito. Então, a Casa Nova continua atendendo os clientes dela e atendendo de tudo bem.
Julio:
Geograficamente, eu sei o que você tá falando.
Leandro:
Geograficamente e até... é em termos de valores, né? A gente atua num público um pouco...
Julio:
O segmento muda também.
Leandro:
Exatamente. A Casa Nova atuando muito forte em locação e vendas também. A gente um pouco mais em vendas, né? E um pouco menos em locação, mas as duas se complementando.
Julio:
Legal.
Leandro:
Hoje a gente tem um grupo familiar, então, né? A gente tem lá a Casa Nova sendo tocada, já tem mais de 52 anos de existência. Então é uma operação muito sólida, muito rentável, muito bacana. Onde o Alessandro, meu irmão, toca lá. E eu e o Adriano, meu outro irmão, tocamos a Operação da Vila Gustavo.
Julio:
Maravilha.
Leandro:
E agora com a Unidade Santana, a Todo Vapor também, que agora em janeiro de 26 entrou no terceiro ano da existência.
Julio:
Ah, então a Unidade Santana é mais recente.
Leandro:
É mais recente.
Julio:
Legal, muito bom.
Leandro:
A gente identificou que o mercado imobiliário é bem regional mesmo.
Julio:
Com certeza.
Leandro:
Bem bairrista, né? Que a gente consegue ter um raio de atuação muito eficiente e muito rápido, né? Então, naquele raio de até 3, 4 km a gente consegue atender muito bem os clientes, né? E ter muito sucesso pra loucar e vender os imóveis. E que passando daquele raio, a gente tinha um pouco de dificuldade.
Julio:
Começa a ter problema de deslocamento, né?
Leandro:
Deslocamento, você sabe, São Paulo tem um problema de trânsito, etc, né? E aí a gente optou por abrir essa unidade em Santana, né? Buscamos uma pessoa dentro da própria Carisma, um colaborador da Carisma, um gerente da Carisma, pra nos auxiliar, pra ser sócio daquela unidade, então a gente tem o Edu. Lá, tocando a unidade Santana, né? Com a participação da Carisma, né? Por trás. E isso tá dando muito certo.
Julio:
Legal, um bom modelo.
Leandro:
Exatamente, um novo modelo do negócio, né? Uma cogestão de um colaborador muito aculturado. com a empresa, então o Edu já tem 10 anos de carisma lá. Então a gente acha que as frentes devem ser nesse modelo, né? Um modelo de uma pessoa que saia da cultura muito forte de carisma.
Julio:
Perfeito.
Leandro:
E que tenha um pedaço de uma empresa, de uma filial, e que consiga tocar essa filial muito bem, trazendo a cultura da carisma, trazendo os valores da carisma, né? O que realmente importa. E eu acho que esse é o caminho que vem dando resultado, né?
Julio:
E a Zona Norte de São Paulo, ela é uma área super extensa, são... né? Às vezes a gente pensa numa zona de uma cidade e acha que é uma coisa só, mas é uma coisa muito grande, eu fico impressionado como é, né? O que mudou, cara, nessas regiões de 30 anos pra cá, assim, em relação às oportunidades da região e a importância de ter uma operação física também? É, porque muitas vezes o proprietário gosta de ir na imobiliária, ele gosta de conversar com as pessoas, né?
Leandro:
Exatamente. A gente tem o antes e depois da pandemia, né? Eu acho que a pandemia mudou muita coisa. E São Paulo é uma cidade muito grande, né? Se a gente colocar aí Zona Norte, Leste, Oeste e Sul, em cada região você pode ter quatro, cinco, seis imobiliárias muito fortes, né? E tem espaço pra todo mundo, né? Desde que você haja com ética, respeito, né? Você consegue ter o espacinho pra todo mundo. Só que a Zona Norte é uma zona aparte, né? A gente brinca que é quase uma cidade do exterior. Eu falo com pessoas de portais, eu falo com pessoas... meio imobiliário e elas falam que realmente a penetração na Zona Norte é muito mais difícil, né? Antigamente a gente tinha um jornalzinho que só circulava na Zona Norte e só dava certo lá, que era antes dos portais, que era os anúncios que a gente fazia, né? E que em outras regiões isso já não existia. Então, particularmente a Zona Norte já é um subreduto travadinho de São Paulo, como se fosse uma cidade do interior onde todo mundo se conhece, onde todo mundo se cruza, onde cada vez mais faz sentido a gente ter uma operação física. Então, na pandemia, lógico, acentou muito o uso da tecnologia, então a gente consegue fazer hoje, hoje a gente consegue atuar num raio maior, usando tecnologia, usando vídeo, usando IaaS, como a Plaza, usando bastante benefício disso. Porém, a Zona Norte ainda é muito bairrista. Então, a pessoa se sente acolhida tendo um escritório por trás, né? E sabendo que a porta tá aberta, né? A gente foi uma das primeiras imobiliárias que teve uma operação conjunta com o Quinto Andar, que acabou finalizando ano passado. Então, a gente começou em 2021, 2022, com eles, fazer uma operação onde a gente chegou a ter 300 imóveis compartilhados, co-compartilhados, em administração. Mas depois a gente viu que não era o perfil. O quinto andar tem um público e um perfil de atuação e a gente, principalmente por estar na Zona Norte, tem um outro perfil. Então eu tenho proprietários lá que fazem questão de uma vez por semana lá, sem precisar, porque a gente tem a área do cliente, a gente tem o extrato online que ele consegue acessar 24 horas por dia, a gente tem o WhatsApp, a gente tem inteligência artificial, tem tudo pra ele não vir até a Carisma. Mas ele gosta de vir até a Carisma e a gente gosta que ele venha até a Carisma. Por que, Júlio? Porque... Vender relacionamento.
Julio:
Com certeza.
Leandro:
Então, quanto mais ele estiver na imobiliária, mais relacionamento a gente vai ter com ele, mais confiança a gente vai conseguir passar e acredito que mais negócios a gente vai fechar.
Julio:
Sem dúvida nenhuma. Então, a importância do contato físico, porque muitas vezes o diferencial também é você ter um local físico que o cliente vai lá pra conversar, pra saber como é que tá o imóvel, não necessariamente tendo um problema específico pra ser resolvido, né? Muito legal.
Leandro:
Tem um case muito bacana que a gente viu do imobiliário de BH, que realmente eles começaram a achar que era um problema ter as pessoas um pouco fora da imobiliária e começaram a fazer evento pra cliente pra trazer pra imobiliária. Então a gente também faz lá no mês de agosto, que é o mês do corretor de imóvel, a gente faz o dia do corretor de imóvel, que é um evento que a gente faz pra cliente e pra corretores da Carisma. aonde a gente traz os clientes para a Carisma, a gente distribui e aí alguns convites para que os corretores tragam novos clientes para conhecer a Carisma e eu acho de suma importância esse movimento. É lógico que eu acho que é uma linha tênue entre você ter uma operação física que é muito mais cara e você usar as tecnologias digitais certas. A imobiliária que conseguir andar nessa linha, nesse trilhozinho, conseguindo fazer uma operação robusta, física, e não se esquecendo da parte digital, que é muito importante, porque te dá muita velocidade, muita rapidez, muita eficiência, eu acho que vai levar vantagem nesse mercado competitivo que é o mercado imobiliário de São Paulo.
Julio:
Com certeza, é competitivo demais. Assim, eu conheço imobiliárias que vieram de outros estados pra cá, e aí o pessoal pega e fala, ô, eu não imaginava que o negócio aqui ia ser tão difícil não, achava que ia ser mais fácil.
Leandro:
Aqui o bicho pega.
Julio:
É, o bicho pega, exatamente. E Leandro, você estava comentando sobre a Carisma acabar desenvolvendo uma parte do negócio de vendas de forma mais acelerada até do que a Casa Nova, né?
Leandro:
Sim.
Julio:
Como que você analisa essas duas oportunidades de venda e locação dentro da imobiliária? E quais são, assim, os fatores estratégicos mais importantes que você vê nessas duas frentes?
Leandro:
A minha formação, por ter direito na veia, sempre foi muito administrativa. Então, eu gostava muito de locação e sempre fiz questão de ter a locação e a administração dentro da minha imobiliária. Eu acho de suma importância ter essas duas operações conjuntas lá, porque ela vai te dar a base e vai te pagar suas despesas fixas. Então, tem muito imobiliário que fala, mas
Julio:
eu só quero... Previsibilidade, né?
Leandro:
Exatamente. Ah, mas venda dá mais dinheiro. Realmente, o lucro forte das imobiliárias vem das vendas. Vem, talvez, dos lançamentos, né, das vendas de terceiro.
Julio:
É pra roda sazonal, assim, quando o mercado tá bom.
Leandro:
Exatamente. Mas ele não é tão previsível e tão estável como é a locação, né? A locação, economicamente, o país estando bem ou mal, se loca.
Julio:
Na verdade é aluga mais quando tá mal, porque aí a pessoa não consegue comprar.
Leandro:
O juro sobe de dois dígitos, sofre um pouquinho, locação dispara. A gente tem os últimos dois anos lá de recordes de locação na Carisma. Por outro lado, a hora que o juro cai muito, a parcela do aluguel fica alta. bate com a parcela do financiamento, é mais fácil você financiar e comprar a sua casa, né? Mas eu acho que qualquer imobiliária deveria ter as três operações. E o brinco lá na imobiliária, na Carisma, em algumas reuniões eu falo isso, que a Carisma poderia ser três empresas totalmente diferentes, Júlio.
Julio:
Sim.
Leandro:
Uma empresa de locação, uma empresa de administração e uma empresa de vendas. Cada uma com seus desejos, cada uma com as suas dores, cada uma com os seus anseios próprios. Então, locação tem um público próprio, um jeito de a gente falar com o pessoal da locação. A administração tem um jeito próprio, um jeito de a gente falar com a administração. E vendas tem um jeito particular também de se falar, de ser um pouco mais ousado, né? Onde você tira um pouco mais de lucro, né? Mas na hora que você junta as três empresas, e aí, eu acho que é a grande sacada do empreendedor tentar unificar essas três empresas, né? para que ela inteira consiga crescer, tanto o setor de locação quanto de venda. Eu cansei de ver, nesses meus 27, quase 30 anos aí de mercado imobiliário, o setor de vendas às vezes queimar a locação. Ou a alocação queimar o setor de vendas, ou o setor de vendas dizer, não, não deixa alugado não, vamos vender esse imóvel, não compensa alugar o imóvel, não compensa administrar, você está pegando menos que 0,7% de rentabilidade, pega, vende e deixa o dinheiro no banco. Então, o gestor tem que equilibrar essas três frentes das imobiliárias, os três grandes setores da imobiliária, para que um ajude o outro.
Julio:
Esse é o grande desafio, é um complementar o outro, né?
Leandro:
Exatamente.
Julio:
E na hora que você vai formar as equipes, qual é... você acha que uma estratégia mais otimizada é de separar completamente as equipes ou ter uma equipe juntas aí, se complementando?
Leandro:
É, lá na Carisma a gente fez bastante teste, né? A Carisma já tem 37 anos de existência, então é tempo suficiente pra gente testar algumas coisas e lógico, São Paulo é o que você falou, ele é muito grande, pode ser que uma operação da Zona Norte não encaixe com a da Zona Sul, não encaixe com a da Zona Leste, então eu acho que cada imobiliário tem que buscar O seu equilíbrio, perfeito?
Julio:
Particularidades locais.
Leandro:
Exatamente. Mas o que funciona muito bem lá na Carisma é a gente setorizar e realmente a pessoa ser especialista no que ela faz. Então, corretor de locação não faz venda. Corretor de venda não faz locação. Corretor de locação indica captação para vendas, mas não faz captação para vendas. E vendas indica locação, mas não faz a captação para locação. E o ADM fica no meio e ele também só indica para as duas áreas. Então, a gente tem um programa de indicação lá, onde o corretor de vendas pode indicar para locação e ganhar um porcentual, porém quem vai fazer o serviço da captação completa é o próprio setor da locação. Então ele vai fazer o término, ele vai pegar a indicação do corretor de vendas, vai fazer todo o cadastro, as fotos, vai colocar a placa, vai fazer o anúncio e vai fazer a locação. E depois o corretor de vendas vai ser gratificado por comissão com isso. E ao contrário também é verdadeiro.
Julio:
Você cria um incentivo entre as áreas.
Leandro:
Porém... O procedimento e a atuação, execução é exclusivo daquela área. Então, se um corretor de vendas quiser fazer uma locação, eu não vou deixar. Por quê? Porque eu acho que hoje você precisa ser um pouco mais específico. Acabou aquele generalista, né? Ah, eu sou corretor do quê? Sou corretor de sítio, de apartamento, de terreno, de casa de praia? Não. não tem mais espaço para esse tipo
Julio:
de... Se você não foca, você não é bom em nada, né?
Leandro:
Exatamente. Então lá eu tenho alguns corretores que são especialistas em determinado bairro.
Julio:
Perfeito.
Leandro:
Outros em determinado perfil de faixa de renda, né? Então isso dá muito certo lá na Carisma, é o que a gente vem fazendo.
Julio:
Legal.
Leandro:
Uma área fomentar a outra, mas deixa para o especialista fazer.
Julio:
Perfeito, eu acho essa estratégia, Leandro. Até quando a gente estava começando a Maya, a gente sempre rola aquelas discussões, né? Pô, você vai fazer um IAC especialista em imobiliária de locação ou de venda? Imobiliária que faz lançamento ou imóvel de terceiros? Eu sempre falava lá, eu falava, cara, a nossa solução tem que ser especialista em imobiliárias. E imobiliárias fazem tudo. Então, você tem que ter o módulo administrativo, o módulo de lançamento, o módulo de terceiros. Você precisa estar preparado para servir a imobiliária como um todo. Porque, apesar de a imobiliária ter várias frentes, você tem que ser especialista. As pessoas da imobiliária precisam ser especialistas ali. E aí, já entrando um pouco mais dentro dessa... da mudança tecnológica, Leandro, quando você entrou no mercado, provavelmente não se anunciava imóvel do mesmo jeito que se anuncia hoje, não se registrava um imóvel dentro do sistema do mesmo jeito que é hoje. Quais foram as grandes mudanças que você acompanhou ao longo desses anos e o que você acha que foi bom e ruim dentro dessa evolução?
Leandro:
Eu sou muito inovador, né, Júlio? Eu sou muito ativo, eu não, né? Minha mulher até brinca quando a gente vai pra um hotel muito tranquilo. Ela fala, nossa, você vai odiar. Eu falei, por quê?
Julio:
Monótono.
Leandro:
Exatamente, porque você vai ficar três, quatro dias no mesmo lugar. Eu, nossa, eu preferia, né? Um dia num lugar, outro dia... Então, naturalmente, eu sou muito agitado, né? E eu levei um pouco dessa cultura pra carisma, né? Então, desde 98, quando a gente entrou lá, me incomodava ver algumas coisas. E eu contestava muito, mas por que é feito assim? Mas não tem outro jeito mais fácil? Mas como é que a gente vai fazer, né? Tanto que hoje, eu acho que a gente é uma das poucas imobiliárias que tem uma área voltada só pra isso, que foi uma área implementada pelo Rafael Alves. que acho que você conheceu, o Rafa, e a gente criou junto em 2020, acho que até um pouquinho antes de 2020, antes da pandemia pô, 2020, 2018 talvez, a gente criou uma área de inovação na Carisma. Então é uma área que ainda existe hoje, tá ativa, que ela só olha pra tudo que a gente faz e vê como a gente consegue fazer mais e melhor. Então, como a gente consegue ser mais eficiente, né?
Julio:
Sempre se questionando, se provocando. Exatamente.
Leandro:
E aí, todo ano a gente coloca no começo do ano algumas coisas que a gente precisa olhar, né? Algumas áreas. Então, poxa, área de vendas. Como é que a gente consegue fazer um site mais eficiente? Como é que a gente vai fazer uma captação mais eficiente, né? Então, essa sempre foi uma máxima da Carisma. Então, lógico, como toda imobiliária e na Carisma não foi diferente, a gente começou lá com o folhetinho. Tinha lá o cadastro num bookzinho que você dava pro cliente e o cliente folheava. Tinha lá o anúncio... Era em papel.
Julio:
Aí você botava dentro de um... Como é que era aquele negócio de ferro que...
Leandro:
É, tinha um botenzinho.
Julio:
Uma gavetona com os arquivos.
Leandro:
Os arquivos. E cada tendente, cada corretor tinha sua pastinha e você ia lá. Até o dia que surgiu o primeiro software imobiliário. E aí a gente falou, meu, vamos colocar tudo no software. Daqui a pouco veio o advento da internet, né? Sobe tudo pra internet, né? Daqui a pouco a gente tinha jornal, o jornal já não fazia sentido, veio os portais imobiliários. Meu, sobe tudo pros portais, né? Pós-pandemia e na pandemia houve a revolução do mercado imobiliário. Eu acho que antes da pandemia, as imobiliárias estavam muito acomodadas. Sabe, Júlio? Eu não tinha visto grande revolução no mercado imobiliário a não ser os portais antes da pandemia. Não tinha nada. Não tinha... Bote, era bote telefônico, o máximo que você teria, que era... Diz que um pra falar com vendas, dois pra... Cara, não tinha nada, né? E a pandemia, lógico, que foi péssimo, porque, né, perdemos muitas vidas e foi complicado, mas ela deu uma acelerada no mercado imobiliário de uma forma que a gente começou o mercado imobiliário antes da pandemia muito tradicional, parado, e a gente viu uma centena de empresas sendo criadas na pandemia e tendo muito sucesso, né? Empresa de vistoria, empresa de captação, empresa de... pra melhorar o anúncio, empresa que tira foto, empresa com IA, empresa... né?
Julio:
E... Entendi.
Leandro:
É o que eu costumo falar, né? É...
Julio:
É... Ficou coçado ali.
Leandro:
Exatamente.
Julio:
Eu não tinha conta.
Leandro:
E depois da pandemia, vinha muito aquela pergunta do corretor mais raiz, né? Poxa, Leandro, eu ainda vou ter espaço nisso tudo?
Julio:
Sim.
Leandro:
E aí eu dou uma resposta simples e objetiva. Se você estiver com as pessoas certas e estiver usando a tecnologia certa, você tem tudo pra ter espaço. Agora, se você não se aprimorar, Realmente, né? Não tem jeito. É igual aquele negócio, né? Todo mundo andava com carro manual.
Julio:
Sim.
Leandro:
Ah, saiu carro automático. Ah, não quero. Não, por que você não quer? É melhor. É mais eficiente, é mais rápido. E quem se adaptou, gostou e tá aí até hoje. E quem não se adaptar às novas tecnologias ou não tiver num ambiente de crescimento que puxe as novas tecnologias, vai ficar pra trás. Então, hoje lá na Carisma a gente tem Um corretor, que é um case lá, que tem mais de 80 anos e que usa toda a tecnologia e ainda é muito competitivo. Mas por que ele é competitivo? Porque ele usa a tecnologia.
Julio:
Com certeza.
Leandro:
Ele usa o WhatsApp, ele usa os vídeos, ele usa o sistema, né? Há quatro anos atrás a gente fez o mote do ano, usar 100% dos sistemas, softwares que a gente tinha, né? Porque a gente tem aquela máxima, né? É, todo mundo reclama do sistema, você reclama do sistema. Mas está preenchendo?
Julio:
Não. Não. É, exato.
Leandro:
Você reclama, reclama. Ah, o sistema é ruim. Troca de sistema. Ah, o sistema é ruim. Troca de sistema. Peraí, calma. Vamos usar 100% dele. E hoje a gente usa, vai, vou colocar 90 e pouco por cento. de cada sistema nosso, tanto o comercial quanto o administrativo, e isso trouxe uma eficiência para o escritório gigantesca. Então eu brinco que o profissional que usar 90% do recurso que a imobiliária te dá, e ele tiver uma imobiliária que forneça os seus cursos certos, teste as coisas rapidamente, tem que testar, se não deu certo, tira. Deu certo, continua e implementa mais ainda, né? E fazer faseado pra não deixar a pessoa maluca, né? Porque realmente, colocar duas coisas, implementar duas coisas no mesmo mês, você não consegue, né? Implementa uma, daqui a pouco implementa duas, né? A gente teve alguns anos lá que a gente, obrigatoriamente, implementava uma tecnologia a cada seis meses. Então, implementava, fazer alguma coisa como gamificação, uma campanha, depois de seis meses, Aquilo gravou na mente da pessoa. Automaticamente ela começa a fazer. Agora vamos partir para o fase 2. Vamos implementar outra coisa. E aí vai.
Julio:
É uma cultura de inovação mesmo. Vocês estão de parabéns, cara. Porque teve vários aspectos do que você falou aí que realmente mostram as empresas que costumam utilizar ferramentas novas e geralmente dá certo. Porque tem muita empresa que tenta utilizar uma ferramenta nova e dá errado. E aí, olha só que coisa legal. Primeiro, você comentou da parceria com o Quinto Andar. Você falou com orgulho da parceria do Quinto Andar. Deu errado depois de um tempo, aprendizado. Vamos olhar pra frente.
Leandro:
Exato.
Julio:
Então, isso é muito, muito importante. Eu vejo quando a gente estava colocando a Maya lá na Carisma, você comentou que era constante as conversas que você tinha com a equipe para mostrar os benefícios, né? Isso não é uma coisa que você só faz uma vez. Você tem que constantemente estar lembrando as pessoas de que ao usar aquilo ali, pô, tem uma adaptação a ser feita, mas benefícios vão vir, né? E aí, como é que foi essa adaptação lá e... Não, talvez não só com o IA, mas até com outras ferramentas. Você percebe que é sempre o mesmo padrão?
Leandro:
Cara, é muito engraçado, né? A gente fala de tecnologia, a gente fala de procedimentos, de pessoas, mas todos nós somos humanos. E toda mudança é difícil por uma pessoa, né? Até se falar, vamos acordar agora às seis da manhã, não vamos acordar mais às sete. É difícil. Vamos dormir mais cedo, vamos dormir mais tarde. Então, na imobiliária não é diferente. Toda hora que a gente chega é uma tecnologia nova. existe uma barreira a ser transportada, a ser transpassada, né? O que a gente costuma fazer, né? Primeiro a gente faz reunião mensal, então todo mês a gente tem um aniversariante do mês que a gente tem, além dos aniversariantes, a gente tem uma fala, né? E a gente traz o que a gente tá fazendo, então a gente prepara o terreno dos colaboradores. Galera, ó, é o seguinte, daqui três meses vai ter uma ferramenta nova, vai funcionar mais ou menos assim.
Leandro:
O cara fala, meu, você não tava vendo tal coisa? Puxa, eu vi e não deu certo. Ah, nem vai passar. Não, nem vou passar pra vocês. Mas culturalmente, eu já vou mudando a cabeça daquele cara. Nossa, o Leandro vai trazer alguma coisa nova, vai trazer alguma coisa nova, né? Então, primeiro, a gente faz a preparação do terreno. Olha, estamos olhando uma ferramenta nova. Ela faz mais ou menos isso. Ela vai te auxiliar a isso. Segundo passo é fazer testes com quem quer fazer.
Julio:
Perfeito.
Leandro:
Então, teve algumas ferramentas da Carisma que a gente pegou os corretores e falou, galera, está disponível, quem quiser usar, use, quem não quiser, não usa. Não tem problema. Não vamos fazer distinção.
Julio:
A primeira fase é opcional.
Leandro:
Opcional. Então, muitas coisas a gente fez opcional. Cara, dá mais trabalho? Lógico que dá mais trabalho. É pior para a empresa? É pior para a empresa. Mas a coisa acontece mais facilmente. E o terceiro passo é, na próxima reunião, exaltar quem está usando e dar os dados de sucesso da pessoa que está usando. Então... Teve várias ferramentas que a gente falou, olha, corretor fulano, corretor beutrano, parabéns, vocês tiveram números expressivos e os caras estavam usando aquela ferramenta. O cara que não tá usando, olha e fala, meu, o que aconteceu? Por que meu número tá tão mais baixo? E aí ele pede pra usar a ferramenta também.
Julio:
Sim, perfeito.
Leandro:
E aí a gente fala, tá disponível. E lógico, isso no começo foi meio que assim. Agora, culturalmente, o setor de inovação tá tão forte que quando a gente traz uma fala dessa numa reunião mensal, No outro dia, já tá sendo perguntado, quase com o escritório inteiro, Leandro, e essa novidade? E essa novidade? E quando a gente implementa hoje, já passa, apesar de ser opcional, 100% da
Julio:
galera... Já tem um sentimento de, é, que coisa legal, ao invés daquele sentimento, ai, mais uma, né? Legal.
Leandro:
Já teve coisa que a gente teve que voltar atrás, né? Porque ninguém é perfeito. Já teve coisa que a gente implementou, passou um mês, dois, meu Deus, que besteira que a gente fez. Tira rápido.
Julio:
Exato.
Leandro:
se desculpa com a galera, vai lá na renda imensal e fala, galera, ó, trouxemos essa ferramenta, cara, andamos pra trás, foi mal, tamo junto, vamo pra próxima, e ter a mente aberta, é ser humilde pra, né, realmente aceitar que nem tudo você vai acertar, mas é o que eu falei, que a gente traga 10 coisas e acerta 7, 8, tá bom demais. Muito melhor do que alguém que traga uma e aí fica só com aquela.
Julio:
Maravilha. E como é que tá a Maya da Carisma hoje em dia? Conta um pouco essa história.
Leandro:
Mercado Imobiliário, a gente tem uma taxa de conversão muito baixa, né, Júlio? Então, a gente tem um excesso de leads, né? A gente usa ainda bastante portal. Apesar do site hoje ser o número um de faturamento da empresa, né? A gente investe bastante no site. Ainda tem muito portal e traz muito lead. Então, Eu acho que o mercado imobiliário é um mercado que você tem muito lead. Então, o topão do funil é gigantesco. Tem muita gente. E a gente tem uma problemática de pessoas. Você não consegue contratar tantas pessoas que dê suporte a todos os leads para atender 24 horas por dia, 7 dias por semana. Senão você não vai ter faturamento. Você vai ter um grande bolsão de pessoas. Sendo que a taxa de conversão é pequena. Se a gente pegar lá 100 pessoas, 5 vão comprar alguma coisa. Talvez 10 vão alugar alguma coisa. A taxa de conversão é complicada no mercado imobiliário. E se a gente tiver uma ferramenta que dê vazão para todos esses leads, que consiga atender simultaneamente 20, 30, 40 leads, ao mesmo tempo, e esquentando esse lead, e tratando esse lead, e passar na hora certa para o corretor, dificilmente você vai ter sucesso. Porque você vai ficar enxugando gelo.
Julio:
Exato.
Leandro:
Entra 20 lead, eu retorno para 20 lead. Entra 30, eu retorno pra 30. Tá, você só tá retornando, você não tá conseguindo avançar no funil.
Julio:
Perfeito.
Leandro:
Você tá atendendo, talvez você não consiga dar aquele atendimento no time.
Julio:
Na hora certa.
Leandro:
Necessário, 1 a 2 minutos, vai. Às vezes você demora 30 minutos pra atender aquele lead. Meu, já foi, o cara já ligou pra outra imobiliária, pra outro corretor, né? Então, teu time, se você tiver com uma máquina, dando retorno a tudo, você não consegue fazer outra coisa? Você não consegue separar imóvel pra esse cara, mandar alguns links pra ele, dar um atendimento consultivo onde você consiga entender e escutar mais do que falar, entender o que o cara quer, separar e fazer as visitas no horário que o cara deseja, revalidar os seus anúncios é de extrema importância, então o corretor tem que ter um tempo pra revalidar os anúncios dele, a cada 30 dias ligar e falar, Você está com aquele imóvel ainda à venda? Continua o mesmo valor? Posso refazer fotos? Não posso refazer fotos? Alguma coisa mudou? Vamos baixar um pouquinho esse valor? Não vamos? O que a gente vai fazer?" Então, o corretor precisa ter tempo para fazer tudo isso. Às vezes, quando entra um corretor novo lá, o corretor fala, ah, Leandro, é só vender imóvel? Tomeu. Você tem que fazer o anúncio, tem que tratar o anúncio.
Julio:
Tem que fazer muita coisa.
Leandro:
Cara, é muita coisa, é muito detalhe. A cada 30 dias você tem que mudar o texto do anúncio, você tem que mudar a foto, a foto principal, a secundária, falar com as pessoas. Então assim, se você não tiver uma inteligência artificial que te ajude a dar demanda pra bocona do funil de leads, como a Maya faz, dificilmente você vai ter sucesso.
Julio:
Qual é a grande diferença de antes e depois da Maya para você?
Leandro:
Cara, eu acho que hoje os corretores estão com mais tempo e mais qualidade de atendimento. Então, antigamente você não tinha muita qualidade, era quantidade, era meio vamos, vamos, vamos, vamos, vamos e... E ia perder muita
Julio:
coisa também no fluxo.
Leandro:
Muita coisa eles já retornavam, ah, mas já vi, né? E com a Maya a gente consegue atender 100% dos leads num espaço de tempo muito curto, E aí a Maya vai demandando, conforme a gente configura lá, conforme a demanda do que o cara quer de visitar. Putz, esse cliente tá mais quente, é mais frio, né? Então o corretor recebe um lead mais qualificado, né? Um lead mais pronto pra ser atendido por ele.
Julio:
E hoje, como que os corretores, eles lidam com a Maya? Eles, é... Eles costumam olhar bastante as conversas? Eles, é... Comentam sobre a Maya?
Leandro:
Cara, é... Foi engraçado, né? No começo, é... Como toda empresa, tem pessoas que adoram e pessoas que, né? Não, meu Deus! Meu Deus!
Julio:
A pessoa fica assustada um pouco no começo. Exatamente.
Leandro:
A gente deu uma... Talvez um ajuste de curso no começo, a gente queria que a Maya não fosse identificada como uma Iá.
Julio:
Ah, sim.
Leandro:
E aí eu acho que foi um pouquinho de erro nosso, né? Porque a pessoa se conectava com a Maya de uma forma, quando caia pro corretor, a pessoa falava o seguinte pro corretor, não, mas eu tô falando com a Maya, não quero falar com você. Não, mas a Maya me atende bem, eu não quero falar com você, né? Aí a gente fez um pequeno ajuste, deixando claro no tom de conversa da Maya que ela é uma I.A.
Julio:
Porque o cliente achava que a Maya era corretora.
Leandro:
Era uma pessoa de carne e osso, né? Então, iam na imobiliária e falavam, meu, quero falar com a Maya. Não, mas ela não tá, o que aconteceu? Ela saiu, né? E aí a gente fez esse ajuste de tom, pra falar, olha, você está falando com uma assistente digital da Carisma, etc. E aí melhorou um pouco, aí os corretores começaram a olhar e falar, meu, agora sim e tal. Então, hoje a gente deixa claro que é uma inteligência artificial que ajuda e poupa o tempo do inquilino e poupa muito o tempo do cliente.
Julio:
Perfeito.
Leandro:
Né? Porque realmente ela responde de forma muito rápida tudo que o cliente pede e ela é ensinável, né? Quando vem lá os alertas, a gente coloca lá. Ah, realmente essa é a casa amarela, da janela branca, tal, tal, tal. E aí o próximo atendimento ela já sabe que é a janela amarela.
Julio:
Ah, perfeito. Vocês usam bastante a funcionalidade de ela enviar para o corretor a pergunta sobre o imóvel e já aprender em seguida, né?
Leandro:
Exatamente.
Julio:
Que legal, cara.
Leandro:
Porque a gente vai abastecendo a própria base de dados dela, né? E eu acho que também uma coisa que quem quer implementar qualquer tipo de A precisa fazer primeiro é preencher o software comercial corretamente com o máximo de informação que você puder, né? Porque a inteligência artificial puxa lá da base de dados. Então, se você tiver uma base de dados fraca, você vai ter uma inteligência artificial fraca. E aí, às vezes, o cara vai pegar no seu pé, né? A Júlia vai falar, não, mas não ficou legal. Mas não é que não ficou legal, é que a sua base tá fraca.
Julio:
Sim, sim.
Leandro:
Então, ainda bem que a gente tinha feito...
Julio:
É, isso acontece também. O que acontece às vezes é, por exemplo, a imobiliária fala, não, a Maya falou que esse imóvel não aceita financiamento. E aí a gente, pô, não é possível que ela errou isso, a gente treina ela todo dia, aí quando a gente vai ver, tá lá no anúncio, o proprietário não aceita.
Leandro:
Então, ela lê o anúncio e ela não tem como fazer mágica, né? Ela vai ler o anúncio e vai passar o que tem no anúncio.
Julio:
Perfeito.
Leandro:
Então, isso é muito importante. A gente fez esse trabalhinho que foi muito legal. Então, enriqueceu muito a nossa base de dados primeiro. E aí, tendo a base de dados bem certinha, aí é a voa.
Julio:
Legal, cara. E como que você acha que são as possibilidades com essa tecnologia nova agora olhando pra frente? O que que você acha que vai mudar no mercado?
Leandro:
Cara, eu acho que o meu mercado imobiliário tá numa fase de transição muito grande, né? A gente vê muito imobiliário que tá ficando pra trás, muito imobiliário muito nova tendo muito resultado, Então eu acho que todo gestor imobiliário tem que olhar com carinho a cada 3, 4 meses da sua operação, ver o que encaixa para implantar, porque tem muita coisa que talvez na sua operação não encaixe, então também tem que tomar cuidado para não tentar implementar muita coisa e você andar para trás, mas acho que é um caminho sem volta o mercado imobiliário. Então o mercado imobiliário tem muita coisa nova, tem ETF, fundos imobiliários, tem tanta coisa e tanta empresa legal, né? Então eu acho que é, a cada três, quatro meses, você olhar pro que tem no mercado, definir uma coisa só, e você pode fazer uma ou duas implementações por ano, mas não deixar de fazer uma, duas implementações todo ano daqui pra frente. pra sempre.
Julio:
Esse é um desconforto que você precisa ter, porque toda a instalação, ela tem ali uma, né, um período meio ruim, mas ela é super importante, porque você tem mais a ganhar do que perder, né?
Leandro:
É, o período de adaptação sempre é complicado, mas passa.
Julio:
Tem algo que a gente costuma falar bastante na Plaza, que é, a gente fez um estudo lá da jornada da imobiliária, e na média, uma imobiliária usa de 8 a 10 sistemas. E muitas vezes esses sistemas não são integrados entre si, eles têm dificuldade para se conectar, os times usam de maneira diferente. E aí é importante para a imobiliária tentar olhar para uma estratégia que reduza o número de sistemas. Como que você vê isso e você acha que a tendência, já que vocês usam bastante, a tendência é aumentar o número de sistemas ou diminuir?
Leandro:
Eu acho, sim, Júlio, perfeito a sua colocação. Eu acho que a gente tem que tomar cuidado para não ter um excesso de canais. de atendimento, porque realmente a gente é humano e a gente não consegue dar demanda necessária pra tudo, né? Se eu tiver que fazer 10 logins pra começar o meu dia, 10 tarefas diferentes e sistemas diferentes pra fazer o follow up, pra dar andamento, não vai rodar, né? Eu acho que a primeira etapa é, usa de 80 a 90% do sistema que você tem. E tenta implementar algo muito perto dele, mas eu acho que no máximo de 3 a 4 sistemas, né? Lá na Carisma a gente tem 4. Então a gente tem um software comercial, um software administrativo, né? Uma inteligência artificial e um outro software que gerencia o WhatsApp. Então não precisa ter mais do que isso. E planilha de Google, né? Mas aí é mais gestor, né? Quem usa planilha de Google talvez é mais gestor, né? Mais a camada acima de gerência, né? A camada corretor, colaborador, você tem que fazer com que ele use o mínimo possível de sistemas. E aí a camada superior de gerente, diretor, aí realmente vai usar um pouquinho mais. porque realmente a gente não tem um sistema que unifique tudo. E se tiver, pra pegar uma grande empresa de software pra fazer esse sistema, vai ficar muito caro. E a gente não, né, as mobilidades não tem o poder tão grande pra ter um setor de software dentro da imobiliária, né? Que, lógico, é o sonho americano, né? Você ter uma IA dentro da imobiliária, ter um gestor dentro da imobiliária de tecnologia, mas a gente sabe que não é possível.
Julio:
Exato, exato. E eu acredito também que tem uma parte do que está mudando no mercado, que é essas integrações entre os sistemas, elas estão ficando cada vez mais fluídas, né? Até a IA, ela ajuda muito nisso. Então, muitas vezes a... conseguir utilizar uma estratégia de sistemas, onde esses sistemas estão bem conectados, acaba ajudando muito nesse problema de ter sistemas de imagem.
Leandro:
Com certeza. A gente tinha, antigamente, muito software fechado, né? Então, o cara tinha um software fechado, que não implementava com ninguém, e aí, realmente, esses softwares caíram em desuso, né? E hoje, a gente tem o software desaberto, que tem que fazer a comunicação, né? Então, da Maya com o meu software comercial, da Maya com o meu software
Julio:
de saquilo... Perfeito, exatamente.
Leandro:
Meu software é administrativo com o site, com a área do cliente, né, pra que consiga fazer os arquivos de remessa, de retorno, das informações, então é muito importante ver essa viabilidade antes de implantar, porque se você começa a implantar coisas que não conversam entre si, você pode estar arrumando um problema em vez de uma solução. Né? Então, com certeza, os softwares cada vez mais integrados fazem muito mais sentido.
Julio:
Legal. Leandro, a gente já tá caminhando aqui pra fase final do nosso podcast e tem uma pergunta que eu sempre gosto de fazer pra nossos entrevistados, que é qual foi a coisa mais gentil que alguém fez pra você? Tá preparado pra responder?
Leandro:
Preparado. Eu acho que a coisa mais gentil que alguém me fez foi meu pai, quando ele me tirou do conforto da casa nova imóveis, onde já tinha uma sala com meu nome, já era um gerente lá, e me levou pra uma imobiliária bem pequenininha e falou, vai lá, se tudo der errado, você volta pra cá. Eu acho que foi a coisa mais gentil.
Julio:
Olha só, ele colocou o desafio, provocou, mas também deu segurança, né?
Leandro:
É isso aí.
Julio:
Que legal.
Leandro:
Ele já faleceu, ele faleceu em 2019, mas deixou um legado muito bonito.
Julio:
Como era o nome dele?
Leandro:
Isaías.
Julio:
Seu Isaías, muito bom, ficou muito feliz de ver. E você hoje tem dois irmãos e eles também trabalham... nas imobiliárias.
Leandro:
O Alessandro tocando o legado lá da Casa Nova Imóveis e o Adriano no financeiro aqui da Carisma me ajudando. Então a gente somos três homens, três irmãos, que estamos no mercado imobiliário e estamos bem, estamos indo bem.
Julio:
Boa, uma ótima história, Leandro. Parabéns pela trajetória. Um abraço para o Sr. Isaías, que Deus o tenha. E fico muito feliz de escutar e entender um pouco melhor aqui da história da Carisma. Muito, muito obrigado por ter vindo aqui, viu, Leandro? É um prazer ser seu parceiro e ajudar a alavancar a Carisma aí com seus desafios. Por favor, sempre pode contar conosco. A gente gosta muito de ajudar. E depois de escutar essa história aqui, fiquei com mais vontade ainda.
Leandro:
Obrigado, Juro. Eu que agradeço. Abração para todo mundo.
Julio:
É isso aí. Pessoal, estamos terminando mais um Maya Talks, o podcast das mentes brilhantes do mercado imobiliário. Hoje aqui com o Leandro da Carisma Imóveis, uma imobiliária super legal para quem quiser conhecer da Zona Norte de São Paulo. Então, muito obrigado pela sua atenção, por assistir mais um podcast. Ótimos negócios para você e até a próxima.
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