Maya Talks #17 – Conversas que transformam o mercado imobiliário | Ernani Assis

Raphael:

Fala galera, tá começando mais o Maya Talks, eu sou o Rapha Garcia, eu tô aqui hoje num estúdio diferente pra receber um irmão, um professor, o cara que eu vou pedir pra ele se apresentar aqui, mas é sem sombra de dúvida um dos convidados mais especiais da nossa temporada, acho que esse aqui é o 17º episódio. A gente tá fazendo um circuito de conversas com influenciadores do mercado, donos de imobiliária, pessoas que podem inspirar e que podem dividir aprendizados com a gente aqui, com você que acompanha a nossa audiência aqui. Muito obrigado por estar com a gente. Ernani, seja bem-vindo, meu irmão.


Ernani:

Obrigado.


Raphael:

Prazer está aqui com você.


Ernani:

Obrigado pela oportunidade de falar pra sua audiência também. Que delícia estar com você. Estava com saudades. E mais feliz ainda com o presente que eu ganhei. É. Acabei de ficar sabendo que eu passei aqui no processo pra ser estagiário do Antigo Mafo. Tô bem animado pra esse nosso prato.


Raphael:

A gente normalmente tem o boné aqui na mesa, que é o brinde, né, do convidado, mas o convidado já quis vestir.


Ernani:

TDAH é isso. TDAH faz isso.


Raphael:

Tô feliz demais. Bom, Ernani Assis, nome que provavelmente quem está no mercado imobiliário há algum tempo conhece naturalmente, dado a relevância que você tem para o nosso mercado, principalmente para o mercado de franquias imobiliárias, que é um mercado que você vem trazendo desde lá de trás, para mim é uma honra. né, poder te entrevistar aqui hoje. O Enan é um cara que, né, eu já trabalhei diretamente em diferentes momentos, e é muito legal poder te encontrar pra esse bate-papo. Vou pedir pra você se apresente rapidamente pra nossa audiência, por favor.


Ernani:

Legal. Rapha, é... De fato é um privilégio estar aqui, adoro falar sobre nossa indústria, sobre os nossos desafios, e toda oportunidade que a gente tem de interagir a gente aprende muito, e você é uma pessoa que eu gosto, que eu admiro, que eu respeito, tem um carinho enorme pela Plaza, pelo time da Plaza. Estou sempre disponível para apoiar empreendedores querendo melhorar essa jornada nossa do mercado imobiliário. É um privilégio estar aqui. Talvez alguns me conheçam porque eu tenho um MBA em fazer as coisas erradas, né? E, obviamente, não apenas coisas erradas, mas é muito bacana quando a gente tem esse DNA empreendedor e submete ao risco com facilidade, né? Eu escolhi esse caminho, esse caminho tem um propósito muito conectado em criação, sabe? De um legado associando o mercado imobiliário a diversos modelos diferentes de negócios. Franchising é um deles, mas me apaixonei na construção do ecossistema. de Prapex aqui no Brasil, né? Eu tive a oportunidade de conhecer o Brian, nossa escola lá, e o Diego em 2010, logo quando eu fui repatriado pro Brasil. Então, um privilégio fazer parte dessa história e mantendo ainda essa energia. de não aceitar aquilo que ainda não deu certo, porque tem que dar, né? Eu acho que a gente tem que continuar investindo, insistindo, testando, modelando e os entregáveis vão conectando com as pessoas.


Raphael:

Muito legal, irmão. Você comentou uma coisa que... A gente tem falado muito na Plaza ultimamente, né? O pessoal, todo mundo diz que o mercado imobiliário é um mercado que é difícil de mudar, né? É um mercado arcaico, é um mercado burocrático, é um mercado que parece que as coisas não mudam, mas elas mudam, né? Quem tá há bastante tempo nessa indústria como você sabe que assim, como é que era o mercado há 20 anos atrás, né? O mercado, ele até pode ser que a velocidade dele seja diferente de outros mercados mais maduros, mas o mercado imobiliário tem mudado muito, né?


Ernani:

Muito. E a gente, olhando pro espectro, separando o mercado imobiliário de vendas e de aluguéis, são jornadas completamente distintas e com ciclos completamente também atemporais, né? Você pega um ciclo de locação no Brasil, em alguns mercados, três dias.


Raphael:

Três dias, né? Uma semana.


Ernani:

Uma semana. A gente olha o mercado do ciclo de vendas, olhando numa proxy Brasil, a gente ainda tenta reduzir aí em função dessa bagunça da organização do inventário, né, do suplá. O número quando a gente estava lá no Datas App era de 540 dias. 580 dias, lá na Remax, por exemplo, só trazendo um exemplo, nada além disso, é de 127 dias lá em Minas Gerais, então são jornadas com muita complexidade, mas eu acho que o olhar não é sobre jornada e nem sobre olhando ali o ICP das pessoas, é sobre o que o consumidor deseja para ele, porque o consumidor vem evoluindo, então a gente olhar para trás e desejar manter uma estrutura, uma entrega nos moldes do passado, e parece que tem uma perda, ou uma desconexão, com o entendimento do consumidor atual, né?


Raphael:

Sim.


Ernani:

E aí eu não tô falando sobre gênero, não tô falando sobre idade, eu tô falando sobre a evolução. Então, acho que quem tem a oportunidade, uma postura de aprendiz pra poder olhar praquele mesmo processo, tentando melhorá-lo com o uso de tecnologia, inteligência artificial e afins, vai ter um entregável melhor, né? E no final é sobre o impacto que você causa nas pessoas que vai te engajar e te promover, talvez, um potencial de escala do seu negócio baseado na experiência que ele tem, né? Nessa conexão. Então, eu amo tecnologia desde que esteja comprometida com a melhoria da experiência das pessoas.


Raphael:

Sem sombra de dúvida. E, assim, o negócio imobiliário é um negócio de intermediar. E aí, a intermediar tem tudo a ver com experiência, né? Porque você tá guiando o processo de dois indivíduos ou dois grupos, né? Que são o comprador e o vendedor, ou o locador e o locatário, mas são dois... Duas pessoas estão em jornadas completamente distintas, né? De vida, de momento e etc. Às vezes um imóvel que é a felicidade de uma família que está comprando, é o espólio que estava dando briga de outra, né?


Ernani:

E às vezes as pessoas dão um champanhe no final, né? É, spolio. E a pessoa que tá vendendo do spolio lá do familiar, tá ganhando um champanhe, parabéns. Falta até um pouco... De empatia, é. De fato, colocar no lugar das pessoas, né, nem sempre a felicidade.


Raphael:

Às vezes não, né. O imóvel, ele carrega consigo felicidade pra alguns, mas também carrega dor, tristeza pra outros, né.


Ernani:

Rapha, tem uma coisa que eu tenho falado muito, né. E como é bacana a gente, que já teve oportunidade, eu falo a gente porque você também teve oportunidade, da gente navegar em investimentos e experiências em mercados distintos que, no final do dia, retroalimentam e trazem insights para que a gente, dentro da realidade, possa aplicar. Vou trazer uma, por exemplo, fazendo uma conectividade com o mercado de fintech e com o mercado de proptech. Lá na Nomad, quando a gente deixou lá, e você tava comigo, eu fazia parte do seu time também, ali no Grupo Zap, quando a gente fez a venda pra OLX, a gente foi com o Lucas construir a Nomad. E uma das primeiras coisas, conversando lá com a molecada, sobre quais são as métricas, os indicadores, etc., me falaram que precisava entender sobre QIC. Eu perguntei se aquilo era sorvete ou alguma coisa, porque eu sou taurino, né? E aí eles falaram, não, Ernania, é know your customers, know your customer, serve pra você entender o seu consumidor e etc., e você identificando isso, e foi pra jornada. Cara, eu voltei pra Remax esse ano, né, em janeiro. Eu comprei ali uma master franquia ali de uma parte importante, majoritária do estado de Minas Gerais. Inclusive foi uma decisão maravilhosa da minha vida. Como eu estou feliz, tô olhando pra experiência do usuário nos meus investimentos em tecnologia, inclusive na Nomad, mas tô olhando pra experiência, o impacto na vida das pessoas direto, olhando pro corretor de móveis e a corteira de móveis. que é algo que eu faço na minha vida desde que eu voltei, né, pro Brasil em 2010. Mas o ponto é, eu tô implementando o QIC na Remax.


Raphael:

Que legal.


Ernani:

Pra que os nossos corretores e corretoras empreendedoras tenham, no processo do ciclo de venda, um encontro pra poder conhecer a história, a necessidade, o desejo, a motivação. Hoje, na primeira visita que a gente chama a ser online, é o novo Your Customer. Agora, ao invés de ser uma esteira de tecnologia analógica, onde ali o profissional é o profissional, tá servindo o cliente. num processo só de escuta ativa, sabe? Então, eu acho que é sobre isso, a gente melhorar, evoluir pra servir melhor.


Raphael:

E essa interseção das coisas é brilhante, né? Quando a gente consegue, como você deu a ideia, você deu o exemplo, ó, eu tava lá na Nômad, em algum momento isso foi um conceito novo pra mim. E aqui você tá emplacando esse conceito agora como, né, levando essa informação adiante.


Ernani:

O mercado imobiliário tradicional, né?


Raphael:

Pois é. E aí, esse negócio de a gente viver nesse mundo que cruza tecnologia com mercado imobiliário, tem esse tipo de oportunidade. Você consegue usar know-how de um lado pro outro. E isso é um negócio que, pra mim, você sabe disso, eu já falei várias vezes aqui também, conheço muito imobiliário no Brasil, você tá bem? Isso é um privilégio. Mas é um privilégio, né? Você poder ter esses aprendizados e cruzar com o que a gente faz no dia a dia, né? Agora, nesse processo que você falou de que você voltou pra Remax, né? E tá lá à frente da Mácia Franquia de Minas Gerais. Como é que foi pra você, de certa forma, voltar pra barriga no balcão, né? Voltar ali pra falar de imóvel mesmo, né? Porque... Por mais que a gente fale de imóvel a vida inteira, quando você fica pro lado de carro, da tecnologia, você ainda tem mais um intermediário que é a própria imobiliária. E ali você já tá no papel junto com o time. Como é que foi esse processo?


Ernani:

Nossa, muito legal a sua pergunta. Você me conhece bem e eu vou responder sem nenhum filtro. Eu tava precisando disso. eu acho que tá me fazendo melhor do que eu fazendo melhor pras pessoas, sabe? Porque é interessante. Ao longo dessa minha jornada, é uma jornada de mais de duas décadas na indústria imobiliária, ela vem uma jornada começando na construção civil e hoje, no momento atual, fora as questões das empresas tecnológicas e do mercado imobiliário, meu dia-a-dia, minha principal atividade, tô ali na Remax, né?


Raphael:

Sim.


Ernani:

Eu... Eu em algum momento me senti talvez com um ego um pouco maior, ou uma autoconfiança que me colocou num lugar que me distanciou das pessoas. E me distanciou não no respeito, no amor, mas no dia a dia. Porque antes a gente olhava ali métricas e metas que estavam envolvendo as pessoas e eu comecei a olhar métricas e metas envolvendo processos e olhando só para dashboards. Olhando ali uma determinada métrica, qual que é a atração. E eu comecei a preocupar muito mais em olhar a experiência de um usuário no uso da tecnologia do que o impacto, por exemplo, que eu tinha no passado do... algo que a gente possa promover e que melhora a vida de um ser humano, de uma família. E foi muito interessante, porque eu acho que é vaidade, são coisas que todos nós temos, cada um no seu nível de maturidade, cada um num momento que é provocado por alguns eventos. Mas no meu caso específico, eu tava começando a ficar triste, Rapha. Imagina o Ernani, que é um cara super up.


Raphael:

Eu consigo imaginar o Ernani triste, mas...


Ernani:

Eu estava assim, gente, what else? O que eu posso fazer mais? E as minhas conversas de mercado imobiliário, porque eu nunca me distanciei, eu comecei a perceber que eu estava mais animado quando eu falava de mercado imobiliário do que quando eu estava sentado lá discutindo, por exemplo, um arranjo de arquitetura e infraestrutura para negociar um deal grande na Nomad, por exemplo. E eu falei assim, gente, será que é isso mesmo, Rapha? Então, eu acho que tem muito de colocar energia onde de fato você é apaixonado. Então, eu acho que o meu momento e essa decisão de voltar, depois de dois non-competes parrudos, né? E voltar pra Minas Gerais e voltar pra Remax foi um negócio que fez muito bem pra mim. E se fez muito bem pra mim, Rapha, faz bem pro Tatá e pra Sossô, meus filhos, pra Paula, minha esposa e as pessoas que me cercam. Porque quando a gente tá feliz, a gente consegue, obviamente, entregar mais, né?


Raphael:

Sim.


Ernani:

Porque todos nós somos seres humanos, vulnerabilidades e capacidades que todos temos. Então, foi um presente que eu tive de poder ter a oportunidade de hoje conseguir fazer a diferença na vida de um monte de gente. E eu consigo medir isso, porque eu criei. Uma estrutura de metodologia ágil, utilizando rituais, cerimônias, processos. Dos mais diversos, um negócio pequeno da Márcia Franqueira. Eu tenho Slack lá, eu tenho a Zana lá, eu tenho rituais semanais, all hands, eu tenho... Pensa numa empresa de tecnologia robusta, eu voltei...


Raphael:

Imprimiu essas características, esses processos lá, né?


Ernani:

Como isso faz um bem enorme? Meu primeiro All Hands na rede tinha, acho que, 13 pessoas, fora o meu time, que eram 7. Então... Olha a diferença disso. Quando a gente olha o último All Hands, que foi na última segunda-feira, ontem, hoje é terça, né? Cara, tinha quase 400 pessoas. Então, acho que é sobre isso. É sobre você estar bem, com a clareza necessária. Obviamente, maturidade ajuda muito nisso, os erros nos deixam cada vez mais preparados para servir melhor. E hoje eu sou aquele incansável. Eu não vou desistir das pessoas. As pessoas podem desistir de mim, porque eu não sei que eu não sou fácil. Mas eu não vou desistir das pessoas.


Raphael:

Você sabe que eu fiz essa pergunta e aí você tá contando e eu tô lembrando de uma situação. O ano acho que devia ser 2018. ou 19, eu não sei. Mas eu me lembro de uma ocasião, a gente tava junto num café lá no andar da Bela Sintra aqui, né? E aí eu comentei com você assim, falei, irmão, acho que um dia eu vou abrir uma imobiliária. E aí você me falou assim, se você for abrir uma Remax, eu abro com você, né? E a gente mal sabia, né, que no futuro, né, se a gente avançasse a fita, no fim, eu abria a imobiliária, não foi a Remax, mas eu abri a imobiliária, tive essa oportunidade e você tá hoje liderando, né, a frente da massa franquia da Remax lá em Minas Gerais.


Ernani:

Mas o mercado imobiliário, ele... Ele é de uma responsabilidade, aí falando um pouco sobre intermediação, o mercado imobiliário é um ecossistema muito amplo, né? Mas olhando ali pra transação imobiliária, seja alocação ou compra e venda, a gente tá falando ali sobre... Cara, eu só vou primeiro olhando do ponto de vista de ticket médio de aquisição levando pra compra e venda. Olhando pra MESLOW, das necessidades básicas até... A autorrealização lá em cima, no topo de Meslow ali. A segunda camada das pessoas, depois de... Porque a primeira necessidade... Fisiológica, né? Lógico. A segunda é segurança. Cara, a gente tá falando de um negócio que é apaixonante, por isso que tem que ter muita responsabilidade pra tratar com as pessoas, pra que a experiência não seja um sonho, e não seja um pesadelo, seja um sonho, né, Rafinha?


Raphael:

Claro.


Ernani:

Então a responsabilidade é enorme, mas nós estamos falando da transação com o menor nível de reconhecimento no mundo, não só no Brasil.


Raphael:

Sim, verdade.


Ernani:

Ah, no Brasil, na média, é menos de uma, né? Porque o nosso déficit habitacional é próximo de 8 milhões de moradias. Mas vamos falar nos Estados Unidos, que se falam que, na média, são 6 transações imobiliárias. Cara, 6 transações é nada. É o potencial número de transações em diversas necessidades... Em vários outros mercados, lógico. Em vários outros mercados.


Raphael:

Sim.


Ernani:

É muito gostoso e é de uma responsabilidade enorme. Tem gente que leva isso a sério, tem gente que não leva, mas tem um lado bom das pessoas que não levam. Porque essas pessoas, o mercado não vai aceitar. A gente tá falando só mudança de consumidor, né, do perfil e evolução. O mercado vai depurar. Essas pessoas não vão ter espaço lá na frente. Mas no primeiro momento, isso é uma vantagem competitiva muito grande quando essa régua é baixa de entrada e tem tanta gente que é pouco profissional, sabe? Não tem entregáveis reais. É muito mais um negócio de juntar comprador com vendedor do que uma apresentação de serviços concretas, sabe? Então, é maravilhoso. Quando você me contou que tinha montado o seu imobiliário, eu fiquei com um pouco de... Nossa, gente, Raphinha deveria ter me convidado. Eu teria entrado como sócio independente da REMAX.


Raphael:

Mas é assim, acho que esse mercado é muito louco. Você tem momentos diferentes. Quando eu abri a imobiliária, eu não imaginava que depois de um tempo eu estaria de volta na tecnologia. A minha cabeça naquele momento também era uma cabeça de ficar baseada num local específico, etc. No fim, as oportunidades vão florescendo, a gente vai tomando escolhas. Agora, uma coisa que sempre foi presente pra mim Era de que a catapulta de resultado de qualquer negócio tem a ver com a qualidade da adoção de tecnologia que esse negócio é capaz de fazer. E não qualidade de adoção no sentido de que ferramenta que você escolhe usar ou que sistema, não. Mas no sentido cultural. Se você, que nem você acabou de comentar, pô, eu tenho lá meu negócio lá, minha master franquia, que você até falou que é pequenininha, mas não é pequenininha nada, lá em Minas Gerais, e eu tenho Slack, eu tenho Asana, eu tenho All Hands, isso é cultura. Isso é cultura de tecnologia, isso é cultura de transformação, de inovação. Eu acho que os negócios, de maneira geral, Na minha visão, as imobiliárias, de maneira geral, elas estão passando por um momento, a prova né, mais uma vez, mais uma prova que elas estão passando, de que se a adoção não for rápida, tem risco de os negócios começarem a ir mal. E aí eu tô começando a falar de inteligência artificial. Por quê? Não é só por causa da Maya não, que é a nossa mascote aqui, que tá nos olhando aqui no bate-papo. Mas é porque o comprador que mudou, o consumidor que mudou, hoje em dia ele já vem perguntando tudo pro chat GPT antes. E chega no corretor sabendo quanto ele pode financiar, como que funciona, como que não funciona, qual a documentação. Então, ali ele chega muito mais... Hoje em dia, o consumidor é muito mais informado, muito mais preparado. Com um assistente que, às vezes, sabe mais do que a gente mesmo, né? Então, esse desafio para as imobiliárias aprenderem a lidar com inteligência artificial nesse processo que a máquina, figurando entre nós, tem sido grande, né? O que você tem visto acerca disso?


Ernani:

Não, eu penso que não é só no mercado imobiliário. A pessoa quando vai olhar um carro, ela sabe mais do carro talvez do que os vendedores. Então hoje o consumidor, ele tá muito ansioso e ele tá muito historiador, né? Ele quer o detalhe da microinformação pra poder validar a tese dele da escolha. Então, talvez a gente tenha que dominar mais é o processo e a jornada do que talvez a detalhe apenas e exclusivamente no imóvel. Então, eu acho que as habilidades das pessoas no uso correto da tecnologia e das ferramentas como o AI é que é o casamento perfeito para poder ajudar a validar essa tese das pessoas que normalmente já chegam com uma opinião, uma decisão tomada. Sobretudo no mercado primário, né? Mercado secundário, isso muda um pouco, mas no mercado primário, nossa, o cara já tem estudos de mercado, que o Chato GPT já trouxe, porque são informações mais organizadas no Brasil, ele consegue, assim, gente, eu não quero saber se é isso ou não, é isso que eu quero, meu amigo, eu quero saber como é que eu pago, como é que um tal fluxo...


Raphael:

Eu até vi uma situação que você comentou, tem a ver com carro, você falou de carro, tem um colega, né, da família lá, que ele trabalha numa concessionária da Honda, E eu fazendo marichão pra Honda, né? Mas enfim... É... Honda! É, patrocinar o Maya Talks. Mas assim, ele trabalha lá e ele me comentou um negócio. Ele falou, cara, depois do chat de gpt, eu tô vendendo muito mais carro à distância do que antes. O cara chega, pinga aqui no WhatsApp, eu começo a conversar e eu fecho o negócio. Às vezes a pessoa sem vir ver o carro. E aí você vê que a história de ver o carro tinha o lance sensorial, mas além do lance sensorial tinha o lance da informação. E agora, a informação sendo organizada e catalogada por inteligência artificial, ela é um consumo muito diferente do que um buscador tradicional.


Ernani:

Muito, muito. E que bom. Porque essa era uma parte bem tricky, bem complexa na jornada de compra. Isso, na minha opinião, ainda que a gente esteja muito incipiente olhando a jornada de implementação de AI generativa nesse contexto, mas já está encurtando o ciclo, né? Então isso ajuda muito, porque o ciclo ainda era mais longo. O mercado primário, eu acho que isso... Eu acho que a gente tá caminhando muito bem. Mas o mercado secundário no Brasil, mercado secundário, pra quem não tá familiarizado com a terminologia, a gente é chato e às vezes fica falando terminologia.


Raphael:

É verdade.


Ernani:

O mercado de avulso, ou de usados, ou de terceiro, o Brasil é tão grande, um continente, né? Cada região chama de um nome diferente. É um mercado onde o que a gente precisava resolver mesmo pra ter mais fluidez é o problema da organização do supply, né? do inventário. É uma bagunça. Então, se a gente olha ali para a estrutura do... Vamos falar do estado da arte do mercado imobiliário. Qual que seria o primeiro problema de uma infinidade que você resolveria? Para mim, a fundação do mercado imobiliário secundário e todas as fricções a partir dessa fundação mal feita, é o supply, é o inventário desorganizado, descentralizado, com informações equivocadas inclusive nos cartórios, uma falta de disclosure dos históricos das transações. Agora algumas prefeituras já avançaram, acho que a prioneira nisso foi Porto Alegre, liberando ali as bases de TBI para que as pessoas possam... Mas a gente sabe que o imóvel aqui não é financiado, às vezes ele não está... pra evitar pagar impostos, vem toda essa parte da inteligência do ser humano, né, que não é só no Brasil, eu não tenho nenhum completo de tupiniquim, aliás, defendo o Brasil em todos os fóruns, a gente não é espatinho, a gente é fofo. Isso é do ser humano, que quer sempre uma vantagem, um desejo básico do ser humano. Mas olhando para as fraquezas do supply, é bizarro. Você pega um país aonde, em 2025, quase 2026, a gente tá pouquíssimo tempo de 2026, a gente tem quatro tipos de supplies diferentes. O primeiro é aquele supply que a gente não sabe que tá disponível. Que o comprador vende direto, o vendedor vende direto pro comprador. Cara, imagina... o risco desse negócio e o número de processos e de pesadelos que tem aqui na venda direta. Então é bizarro. Isso aqui é um dos pilares aqui, desses quatro pilares, pelo menos eu mapiei esses quatro, da desorganização do supply do mercado imobiliário. O imóvel que a gente não sabe que está disponível e é feito de forma não segura em uma transação imobiliária. Tem um outro supply, que é o supply do open listing, que é do mercado aberto. Todo o mercado trabalhando, cliente, comprador, anunciando o mesmo imóvel.


Raphael:

Todo mundo anunciando a mesma coisa.


Ernani:

Todo mundo na busca por leads, atendimento rápido. E aí, Corrida dos Ratos, quem for mais eficiente ou tiver mais dinheiro, ou as duas coisas. Eu lembro de conversas que eu tinha profundas com o Admar, nosso amigo Admar, ex-Casa Mineiro, aqui em Plandar. Aliás, mandou um beijo...


Raphael:

O Admar vai estar aí, vai estar em um episódio aí no futuro.


Ernani:

Ah, vai? Vai. Me ensinam muito, um grande amigo, a gente investe em algumas empresas juntos, tenho uma admiração enorme por ele, mas a gente tinha discussões profundas, porque o defensor lá da exclusividade, ele é defensor do mercado aberto, e o defensor não da exclusividade, mas de trabalhar um cliente vendedor, é o defensor do cliente comprador. No final do dia, os dois são ótimos, depende do seu budget. e de quão estruturado você tá na sua imobiliária pra você operar bem. Mercados, ambos funcionam.


Raphael:

Justíssimo.


Ernani:

Mas olhando pro Open Listings, é... Cara, não adianta só a casa mineira dar certo, a gente precisa que o mercado imobiliário dê certo. Não adianta só a empresa A ou B, porque eu não vou fazer propaganda se não tiver aqui fazendo o sponsorship aqui do Maya Talks. Cara, não adianta. Tem que ser bom pra todo mundo, porque eu acho que o que tem de melhor no mercado é o entendimento de que, ou deveria ser, pelo menos na Remax e assim, o primeiro cliente de um corretor da Remax é um corretor, seja dentro da Remax ou fora da Remax. No caso de uma imobiliária da RMX, uma franquia, o primeiro cliente dele é outro do dono de imobiliária pra fazer parceria, porque o supply de lá do cliente vendedor é qualificado, é captação de apresentação exclusiva. Então, tem um problema muito grande ali. Porque você vai numa busca igual o Viva Real, Zap Móveis, Grupo Zap, você ajudou a construir, eu só fui um anjo ali, depois virei parte do seu time ali no final. Eu não ajudei a construir, eu ajudei a dar palpite. Quem ajudou a construir foi você, eu entrei no final do lado.


Raphael:

Você ajudou a construir porque você tava lá na Remax com o vice-presidente e foi um dos primeiros supply que eu consegui levar pra dentro do Viva Real, então você ajudou sim.


Ernani:

Você sabe que o primeiro supply do Viva Real foi a 121, né? Em 2010, lá com o Brian e com o Diego. Cara, que loucura. A história é legal. Mas você olha lá pra jornada nossa do usuário numa busca. O mesmo imóvel, sete, oito, dez vezes. Outro dia eu liguei pro Rapha Nader. Falei assim, Rafinha, cara, qual é o volume de número de imóveis únicos que a gente tem aí na OLX? Porque a gente tem ali uma Join Venture Capital. Aí o Rapha tá assim, ó Ernani Assis, isso eu não posso dizer. Eita, esqueci que eu já não sou mais. A gente se perde ali na jornada, né? Mas, cara, vamos supor que seja... Tem 10 milhões lá. Obviamente, eu dei risada e falei, ô, Rapha, desculpa pela petulância, né? Rapha, ele é ótimo. Tenho um carinho enorme por ele. Tá dando, realmente, uma assistência enorme pro ecossistema, né? Que legal. Gosto muito dele. Mas, cara, vamos supor que seja 30%. Tô sendo até otimista, porque eu não posso falar do nosso número nessa época. Sim. É bizarro. Você tem 70% de lixo, é isso? E às vezes com preço errado e etc. Ah, isso não é bom, Rapha. Não é pra quem vende, não é pra quem busca, não é pra quem compra.


Raphael:

Não é transparente, né?


Ernani:

Não é dono pra imobiliário, não é dono pra ninguém. Então, eu acho que a gente tem que olhar pra esse negócio e falar assim, cara, se não é bom... pra todo mundo, e nesse caso não é bom, é pra ninguém, a gente precisa questionar. Então eu acho que se você me perguntasse assim, Ernani, cara, você falou de dois dos outros dois, tem a exclusividade nociva, aquela que a pessoa pega um mandato e não faz nada, querendo fazer a venda pra ficar com o honorário cheio, né? E aí frustra, porque aí o preço fica às vezes mal, não tem ali uma inteligência de mercado, então essa exclusividade nociva, vamos tirar também, que é horrível pro ecossistema, mas tem a captação de representação exclusiva, né? Que é o modelo americano, que é o modelo europeu, de todos os países desenvolvidos no mercado imobiliário, como Paraguai, como Bolívia, sabia?


Raphael:

Não sabia não.


Ernani:

Mercado da Bolívia todo em captação de representação exclusiva. Paraguai também. Caramba. Argentina eu acho que você já sabe, porque é bem popular, né?


Raphael:

É, novidade aí foi Bolívia e Paraguai, eu não sabia não.


Ernani:

Na minha jornada de arrogância, uma bela oportunidade, eu fui convidado pra dar uma palestra em Santa Cruz de la Sierra. Que é a segunda maior cidade da Bolívia. O Máster de lá, o Oliver, um cara extremamente qualificado, muito do bem, me convidou pra dar uma palestra. Eu tava fazendo, cara, vou pra Bolívia... Tipo, o que que eu vou aprender lá? Eu tive que tomar Rivodril na minha volta, porque eu tava me sentindo a pessoa mais incompetente do mundo. Porque as pessoas estavam, tipo, sabe, 10 anos na frente da Remax no Brasil.


Raphael:

Que doido.


Ernani:

Olhando pra adoção de tecnologia. Aí não tô falando de produto de tecnologia. Cultura. Cultura e processos.


Raphael:

É, processo. É isso aí.


Ernani:

Cara, Bolívia. Paraguai, países de pessoas incríveis, e que estão muito mais avançados que nós aqui na mecânica imobiliária brasileira. Então, olhando para essa próxia do principal fundamento da indústria imobiliária, que é supply, que é inventário, a gente tem muito o que aprender. E a gente tem muito que trabalhar e executar baseado num olhar, fato de organização e não esse desserviço que a desorganização causa na experiência de todo mundo. E aonde que isso afeta? Na valorização dos honorários, dos corretores, das imobiliárias. Porque aquilo que não é admirado e não é respeitado não é bem precificado.


Raphael:

Justíssimo.


Ernani:

Então como é que a gente vai desejar que um dia todos tenham... Poxa, eu desejo que o meu filho seja um corretor de imóveis ou a minha filha, mas eu não sou o dono da melhor imobiliária. Mirante, Luiz, mandar um beijo pra ele que eu amo de paixão. Não é o caso do Rodrigo dando sequência a um negócio que o Luiz criou. Será que o Luiz não fosse dono de imobiliária e ele recomendaria pro Rodrigo sucedê-lo? Não sei, eu nunca fiz essa pergunta pra ele, então eu não posso ter resposta.


Raphael:

Quando ele vier aqui eu pergunto.


Ernani:

Boa, boa. Vou recomendar trazê-lo. Mas não se tem isso na indústria, não se tem isso na nossa realidade, porque mercados fragmentados, desorganizados e pouco profissionalizados, embora a mídia toda hora dizer que é da profissão, do futuro e etc e tal, Eu não vejo isso na prática, você vê?


Raphael:

Não. Pelo contrário, né?


Ernani:

Eu vejo controle de narrativa. Aliás, sabe esses controles de narrativa? Acho que a gente precisa é isso mesmo, mais dados, sabe? Mais provas de fato, reais, pra gente conseguir fazer análises um pouco mais apuradas.


Raphael:

Você sabe que esse negócio de dado, de trazer luz ao problema, acontece muito com a Maya. Quando a gente começa a atender o líder da imobiliária, a Maya assume o atendimento e aí tem toda essa vantagem competitiva no que tange a velocidade, 24 por 7, que a gente está careca de saber. Agora, tem uma outra questão que é o seguinte, é a primeira vez que o dono da imobiliária vai poder enxergar o primeiro atendimento dele. Porque hoje ele não tem visibilidade.


Ernani:

Zero.


Raphael:

Vai para o corretor, vai para a equipe, vai para quem, do jeito que a pessoa se organizar, seja de venda, seja de locação, mas a informação está descentralizada. Então quando esse problema ganha a luz, ele começa a olhar e ver a conversa, e ver como que o lead, como que o cliente chega, ele começa a ver de fato a qualidade da mídia, ele começa a ver de fato o que é sinal do que é fumaça, do que é barulho e ruído no meio do resultado. Então, quando esse dado chega, essa informação chega, a gente percebe que tem líderes de imobiliária que se comportam diferente. Tem uma parcela deles que olha isso e fala, cara, vou pegar essa informação e agora eu sei o que trabalhar. Tem gente que se assusta. Tem gente que começa a culpar a tecnologia, começa a culpar a ferramenta, fala, não, mas olha só, eu acho que ao invés da IA falar oi, ela tem que falar olá. Porque olá vai converter muito mais que oi. E aí a gente começa a ver que, poxa, às vezes tem pessoas fugindo dos problemas reais, porque trazer também a verdade e a luz pro problema é preocupante, né? Quem tá acostumado a viver no escuro há muito tempo, né?


Ernani:

Verdade.


Raphael:

Se acomoda, de certa forma.


Ernani:

Verdade.


Raphael:

Porque tem problema que fica difícil de lidar, né?


Ernani:

Você não sente falta daquilo que você não percebe, né?


Raphael:

Pois é.


Ernani:

Eu, particularmente, Sou um apaixonado por Iá, pelo tema e pelo que ele provoca de impacto para as pessoas. Acompanho desde o Desero, a Plaza, a Maya. Tenho uma admiração enorme pelo que vocês estão construindo e que bom que o Júlio e o time, vocês, em algum momento olharam com priorização para trazer essa experiência de forma descentralizada também, encorpando também entregáveis, não são limitados a uma única coisa, através da solução que vocês trouxeram. Mas, olha só, é ainda melhor porque é acessível. Como é que era no passado se você quisesse ter controle da jornada do topo de funil do lead? Ou tinha o dinheiro do Admar na casa mineira pra montar uma secretaria de vendas com um payroll talvez de um milhão de reais mês, né? Mais uma central de estrutura pra poder gravar, pra depois alguém escutar, né?


Raphael:

Fazer monitoria.


Ernani:

Cara, como é que faz isso por um pequeno imobiliário? Hoje um pequeno imobiliário utilizando a Maya, ela consegue, sem fazer nenhum investimento, só uma assinaturazinha lá, que deve ser um negócio muito barato, acessível, ele consegue ter ali a experiência do cliente e provocar melhorias. Porque no final do dia, você sabe o que eu acho que a tecnologia traz pra gente de melhor? É clareza dos pontos a melhorar pra gente evoluir na educação, não só na tecnologia. Porque eu acho que um grande problema que a gente tem hoje dessa descentralização, dos problemas robustos que a gente tem na desorganização do inventário do Supai, tá provocado pela falta de educação do setor. Você conhece alguma escola legal, bacana, super que tá aí trazendo os melhores insights de verdade, de tecnologia aplicada no mercado, mas não tem.


Raphael:

Não tem.


Ernani:

A gente vê pessoas com essa vontade, mas com robustez ainda não tem.


Raphael:

Não.


Ernani:

Sabe, aqui não vou fazer nenhuma crítica.


Raphael:

Instituições, ó.


Ernani:

Esses cohortes também de gente que não sabe nada, tá lá com um bom prompt, ou um teleprompt, lendo e fazendo gravações, como fossem donos da verdade, afim, né? Acho que cada um tem que buscar a sua... Mas tem muita coisa errada, né? Tem. Tem coisas muito desconectadas. Agora, hoje... Quanto é a assinatura do AMaya hoje, aproximadamente? Se você puder falar.


Raphael:

Ah, a partir de 1290.


Ernani:

R$ 290,00 contra um milhão só de payroll, só de folha de pagamento, que o Admar tinha na casa mineira, sabe? E sem falar das ferramentas que ele utilizava.


Raphael:

Sim, sim.


Ernani:

Então, assim, cara, que bom que a tecnologia, ela tá aqui pra poder ajudar todo mundo a fazer uma análise e melhorar as entregas, porque é só com a educação que a gente vai resolver. Eu tinha uma frustração no passado, que todo mundo, quando eu perguntava sobre o Remax na minha fase 1, falava, nossa, eu adoro o Remax. Nossa, é a melhor universidade que tem para corretor de imóveis. E aí eu falava assim, não, é, mas a gente não é uma universidade. A gente é uma máquina de vendas. E o pilar que faz com que a gente aumente a produção Obviamente, é a educação. Hoje, a gente já é percebido como uma máquina de vendas, porque toda a educação que a gente tem é para poder melhorar o ciclo de venda, acelerar, trazer ele para uma variação de preço de mercado do imóvel e ganhar velocidade e fazer as pessoas felizes. Então, toda essa eficiência utilizando o Playbook faz com que você tenha uma experiência e venda mais rápido. Hoje, como eu comentei com você, Lá em Minas Gerais, a gente tem um ciclo de vendas, que a gente vende um imóvel a cada 2 horas e 36 minutos. É bizarro, o estado é grande, ali tem, puxa, 20 milhares de habitantes, né? Então, quando a gente olha pro processo, e ver como é que a gente consegue acelerar, hoje eu consigo dizer que a gente é uma máquina de venda, mas a gente precisou ser uma universidade, eu falo no olhar da percepção das pessoas, para depois ser reconhecido como uma máquina de vendas. Não vem, de fato, uma entrega valiosa sem educação. Porque ainda que a gente utilize tecnologia aqui como veículo, no meio, a gente só ganha mais eficiência.


Raphael:

Perfeito.


Ernani:

Então se você tem uma formação adequada, usa as ferramentas adequadas, vai ser igual ao quê? Sucesso.


Raphael:

Resultado, né?


Ernani:

Resultado.


Raphael:

Você falou uma coisa que tem a ver até com o pilar de educação, de maneira até para a sociedade, né? Primeiro você investe em educação. Depois você vê o resultado, né? Porque educado leva tempo. Eu já vi dono de imobiliária me falar, não foi uma vez, foi mais de uma vez, falar, olha, eu adoro contratar corretores Remax.


Ernani:

Sim.


Raphael:

Por quê? Porque, pô, lá o cara fez o curso, lá o cara se formou nas trilhas, lá aconteceu isso, aconteceu aquilo, e às vezes por alguma razão que a pessoa se frustrou com o líder dela, não se frustrou com a Remax, mas se frustrou com o líder dela local, o gerente, o dono do imobiliário, o franqueado, seja quem for.


Ernani:

Sim, sem dúvida alguma.


Raphael:

Ela sai. Naquele ecossistema local ela fica sem opção de ir pra uma outra franquia, mas tem lugar que tem uma franquia só, tem lugar que tem duas, né? E aí, esse cara já vem com um aprendizado.


Ernani:

E que bom que a gente tá fazendo isso, e sinceramente, Acaba melhorando o.


Raphael:

Mercado de qualquer maneira, né?


Ernani:

Mas esse é o DNA da companhia. Se a gente melhora o mercado, é bom pra todo mundo, sabe? Eu tenho um sonho muito grande, sabe, de olhar pra, não pra Remax, mas pra todas as franquias, e que trabalham ali numa estrutura de rede, cada um com aquela proposta de valor que conecta as pessoas, né? Eu vejo operações maravilhosas de franquia, inclusive nacionais. Tem um carinho enorme pelo Matheus lá da Auxiliadora Predial. Matheus é um cara que eu gosto, que eu admiro, que eu tenho um baita respeito por ele. E eu quero sucesso da Auxiliadora Predial, eu quero sucesso de todas as franquias que são sérias, honestas e têm estrutura.


Raphael:

Lógico.


Ernani:

Essas companhias, elas vão fazer a diferença para aquelas pessoas que estão em formas isoladas. A gente vê um movimento de concentração da rede verdadeira, sabe? E o quão isso é bom pra todo mundo. Primeiro pros consumidores, mas é bom também pra estrutura organizacional dos empreendedores, né? Cara, você vê mais alguma farmácia de bairro? Quero dizer, qualquer cidade do Brasil que você for, são as mesmas farmácias.


Raphael:

É, isso duvide.


Ernani:

E se você olhar aquela local, ela tá ali talvez por um momento, daqui a pouco vai ser mais. Sabe os mercadinhos de baixo? Você vê mais os mercadinhos de baixo.


Raphael:

Fiz também.


Ernani:

Sabe? Você vê a lavanderia. Na imobiliária, por mais que muitas pessoas falam, ah, não, veja bem, é diferente. Não é diferente. É mais uma cabeça dura. das pessoas e uma inflexibilidade de entender que isso move não é porque os donos das farmácias quiseram, não é porque os donos dos mercadinhos quiseram, o das lavanderias quiseram, o consumidor quer padronização, conveniência, melhores custos, processos mais ágeis e uma experiência feliz ao comprar alguma coisa, seja um produto ou serviço. Então não é sobre poder, não é sobre setor, é sobre aquilo que a gente estava começando aqui, que você deu uma provocada, é sobre os consumidores mudarem. Ei, a gente precisa olhar mais pra isso. O Rapha, eu vou te contar um negócio que eu tomei um soco no estômago. E Canômage me ajudou muito, assim, a melhorar, também, o meu desenvolvimento. Eu tive a oportunidade, uma vez, de estar conversando numa... Entre ali os diretores executivos... Começamos do zero, aquele negócio, né?


Raphael:

Sim.


Ernani:

O Lucas entrou lá quando tinha sete mil contas e eu entrei quando tinha sete mil e trezentas contas. Eu deixei o dia-a-dia da Nômade com quase 2 milhões de contas e a Mariana Ferronato deixou lá com 3 milhões. Nossa amada Mari. Então, cara, 3 milhões hoje tá quase 4 milhões de usuários. Numa conversa ali, discutindo um determinado assunto, o Patrick, fundador do iFood e cofundador da Nômade, A gente tava numa discussão de uma tese, e o Patrick virou pra mim e falou assim, mas baseado em que que cê tá me trazendo essa sugestão? Falei assim, não, baseado nesses racionais analíticos, aí tirei ali meu notion, um monte de dado. Falei assim, vende o usuário? Ele falou assim, não, então joga fora, eu não tenho interesse nem de ouvir. Falou assim comigo, eu que trato na terapia, o que você fala pra mim eu não quero escutar. Eu quero escutar o meu usuário. Qual é o problema que ele tá enxergando ou em que ele tá apaixonado? É ele que a gente tem que escutar. Foi assim que eu construí o iFood, uma empresa de um valuation de 14 bi de dólares hoje. E aí, naquele momento, eu falei assim... É isso. Para, Ernani, de ser profeta. A pergunta, meu filho, a mais de 40 anos de idade, tá na hora de você começar agora, é só fazer entrevista e escutar. E você pode escutar isso com tecnologia, utilizando testes que você faz de forma assíncrona, testando engajamento de um monte. Não precisa fazer entrevista, vox populi de antigamente, né? E no final do dia é o seguinte, tá todo mundo querendo reinventar a jornada e tá ouvindo pouco o consumidor. Quem ouvir mais o consumidor vai ser mais propositivo e vai evoluir, na minha hipótese, melhor por um processo entregável com mais valor.


Raphael:

Que golaço, irmão.


Ernani:

Mas não é?


Raphael:

Sensacional. Faz todo sentido, cara. E assim, eu fico ouvindo você falar a respeito disso e me colocando à prova até nas decisões que a gente toma no dia a dia, aqui na Plaza, com a Maya e etc. A gente fez um trabalho recente de tentar entender onde estavam os principais pontos de geração de valor e os principais pontos de melhoria que a tecnologia podia trazer para as imobiliárias. E o jeito que a gente escolheu fazer foi falar com todo mundo. Nós somos pequeno ainda, né? Nossa base, nós temos algumas centenas de clientes, mas dá pra falar com todo mundo. Então, a gente... A gente... Parabéns. Foi falar com todo mundo.


Ernani:

Parabéns.


Raphael:

Com uma simples pergunta de dizer, cara, como é que tá aí? Me conta aí. Mas na sua visão, não é uma minha. Não adianta eu pegar a minha lupa e enxergar o teu negócio, né? Você que é meu cliente, você que é meu usuário aqui como plataforma, você que é meu usuário. Eu tô te servindo pra você servir o seu usuário, né? Mas eu preciso saber. Então, foi um trabalho muito legal. Eu não tava nesse papo com o Patrick, mas eu já, de alguma forma, já tinha aprendido isso com você nessa jornada aí que a gente tem junto.


Ernani:

É muito gratificante quando a gente começa a olhar da nossa autonomia em mudar de opinião de tanta coisa, né?


Raphael:

Verdade.


Ernani:

Cara, eu tô cada vez mais inseguro com as minhas opiniões e querendo aprender mais, porque tá tudo tão rápido. É, muda tanto as bases de análises... E aí, cara, é a AI que vai nos ajudar nisso. Um belo... Eu visitei, eu tava em Nova Iorque há duas semanas atrás, e fui fazer um papo com o UBS, ali em Manhattan, e um dos assuntos que veio pra mesa foi inteligência artificial. E aí eles têm lá vários modelos de AI que fazem todas as análises. Você só fornece os indicadores que eles querem. As primeiras análises não são mais um ser humano olhando para aquilo e falando, ah, eu acho que isso faz sentido, Rapha, portar, me traz mais isso. Não, se você quiser participar de uma análise de um investimento em um projeto do UBS hoje, você tem que conversar com o multiagente dele.


Raphael:

Tem que passar pelos agentes de ar.


Ernani:

Todos! Se não passar, não tem conversa, mas veja bem, não tem veja bem.


Raphael:

Olha só.


Ernani:

É o primeiro crivo. O que as pessoas estavam fazendo com a inteligência artificial, que é tudo super novo, né? Há dois anos atrás. A gente, na verdade, fazia e depois mandava. A IA corrigir, né?


Raphael:

Isso, a gente produzia a gente, né?


Ernani:

Produzia. Não, olha, eu vou fazer aqui uma carta de amor pra Paula, minha esposa.


Raphael:

Isso.


Ernani:

Eu te amo, tá, tá, tá, você não sei o que... Eita, esse negócio tá mais ou menos.


Raphael:

Corrige as vírgulas aí, dá uma...


Ernani:

O melhor é assim que eu gosto, deixa mais emotivo. Hoje que ela fala, eu te amo. Tem muito tempo que eu não escuto. Não era assim que a gente usava? Cara, hoje é o seguinte, joga o que você tem, a IA vai fazer análise inicial, E aí, baseado naquele multiagente que tá definido na LLM, lá dos dados que estão todos intercalados, vai vir um green light ou uma red flag, que o seu projeto já foi embora. E eu tomei red flag, daí a... Sabe, como é um colega que eu tinha de MBA, ele falou assim, não Renan, eu quero te ajudar, mas deixa eu te dar um feedback que não seja um e-mail dizendo não, muito obrigado, já que você tá aqui nos Estados Unidos, já que você vem me visitar, cara.


Raphael:

Eu vou te atender, né?


Ernani:

Não faz sentido. A fraqueza tá aqui, aqui, aqui, aqui. cara, precisa melhorar, eu falei obrigado e é isso, precisa melhorar.


Raphael:

Olha só.


Ernani:

Quem sabe no outro projeto eu não tome uma red flag facilmente porque o multiagente não aprovou. Então, olha, isso o ser humano talvez não tenha habilidade de ser tão eficiente, né? eficaz nessa análise. O que a gente tem que ser bom é nos desdobramentos pra construção daquilo que a inteligência artificial, a gente não pode competir, é uma complementação. Então quem tá também delegando tudo pra I.A. perde a oportunidade da conexão com as pessoas.


Raphael:

E até porque a I.A. ela serve pra consumir o que existe, né?


Ernani:

Exato.


Raphael:

Não dá pra criar. A criação, ela vai levar em consideração parâmetros que já existentes. Agora, eu vi uma... Entrevista? Não entrevista, foi um trecho. Sebastião Salgado, que é fotógrafo, né? Perguntava pra ele o que ele achava da Iá. E aí ele falou, o que vai mudar na fotografia? Ele falou, não vai mudar nada. Porque a fotografia é uma captura isolada, única, que alguém bateu naquele momento, aquele espaço-tempo ali que tá naquela foto, não vai ter como ser replicado em lugar nenhum. A Iá pode ir lá e criar a mesma, não vai ser a mesma. Porque a mesma foi só daquele momento. Né? Então essa criação... Né? Essa construção...


Ernani:

Eu só tomaria um pouco de cuidado com essa... Talvez... Eu entendi o que ele quis dizer, é porque a IA nem começou, né? A gente tá... Talvez... Tatiando o... O primeiro ciclo de...


Raphael:

A ponta da ponta do SB.


Ernani:

Um infinito aqui que a gente desconhece. A gente não vai falar de... Cara, de uma evolução tão robusta que talvez as entregas sejam sensoriais ou cognitivas. Não sei, eu parei de falar que não vai ser. Eu não tenho. Hoje não tem. Mas...


Raphael:

No futuro não dá pra saber.


Ernani:

Não se surpreenda, né, do que vai acontecer lá. Eu acho que o Sérgio Cast


Raphael:

No passado, hoje não, aí tem.


Ernani:

As teses dele, mas ele deu acesso à astronomia ali, né, numa linguagem. E ele, cara, ele tem lá algumas coisas que ele é bem claro, fala, não sei, a gente tem que saber tudo. Curta o hoje. Entrega o melhor que você tem hoje. E espera pra viver uma coisa de cada vez sem ser dono da verdade. Eu acho que a IA, cara, ainda vai nos surpreender muito. E ela vem pra poder resolver problemas também de saúde e afins, né? A gente vai, através da tecnologia, através da inteligência artificial, melhorar a longevidade do ser humano. Quem sabe a gente vai ter um dia ainda a oportunidade de jogar um baralho ou de tomar um café junto com 140 anos. Porque o estilo de vida melhorou utilizando tecnologia pra poder trazer isso com mais longevidade. Quem disse que isso não pode vir a acontecer? Talvez não comigo, já passei da minha idade, mas com nossos filhos, talvez isso seja um ingrediente que possa aumentar a longevidade deles.


Raphael:

Perfeito, irmão.


Ernani:

Muita coisa pra gente fazer, Rapha.


Raphael:

Tem muita coisa mesmo. E a gente... É tanta coisa que a gente vai falando aqui, o tempo vai correndo.


Ernani:

Eita.


Raphael:

E a gente... Se a gente não deixar as coisas temporizadas, a gente estica o Myotox, Por horas e horas, ainda mais num papo bacana como é te encontrar aqui. Eu vou ter que encerrar o Maiotóxico, mas eu e o Renan vamos continuar falando aqui por mais tempo. Irmão, eu queria te agradecer pela oportunidade, por aceitar o convite. Acho que quem tem a oportunidade de assistir aqui esse episódio, Tem uma visão que passa por tecnologia, tem uma visão que passa por as conexões humanas, tem uma visão que passa por alguém que entende muito de empreendedorismo imobiliário. Você sabe que eu te admiro, você é um cara que além de empreendedor é um grande executivo. no sentido de poder de execução das coisas que faz acontecer. E sem sombra de dúvida, se o mercado também está evoluindo, tem esse ingrediente de pessoas como você que estão na catapulta aí do resultado.


Ernani:

Obrigado, Rafinha. Aceleremos.


Raphael:

Aceleremos.


Ernani:

2026 surpreende a todos nós, né?


Raphael:

Obrigado, irmão.


Ernani:

Um abraço.


Raphael:

Obrigado a você, nossa audiência do Maya Talks. Fica aí pro próximo episódio. Um abraço e valeu!

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